Uma investigação publicada pelo The Guardian reuniu depoimentos de profissionais e fãs da música cristã contemporânea que atribuem a Michael Tait um padrão de conduta predatória ao longo de duas décadas. Os relatos incluem oferta de bebidas com “gosto estranho”, menções ao uso de drogas e investidas sexuais sem consentimento. Três homens dizem ter sido agredidos sexualmente; outros quatro relatam toques e abordagens indevidas. As idades informadas, na época, variam de 13 a 29 anos.
A apuração do jornal britânico foi precedida por um dossiê do The Roys Report, que ouviu dezenas de fontes e descreveu o tema como “o segredo mais comentado, porém nunca exposto” nos bastidores do segmento gospel. As alegações, que vêm à tona em meio a uma reorganização do mercado de música cristã nos EUA, provocaram reações de rádios, artistas e ex-colegas de banda.
O que dizem as reportagens
De acordo com o The Guardian, as supostas vítimas relatam episódios em residências, bastidores e deslocamentos ligados à agenda profissional de Michael Tait. Um dos denunciantes afirma que, adolescente, presenciou conduta sexual inapropriada do cantor em ambiente público; outro relata ter sido dopado e violentado em 2003; um terceiro descreve perda de consciência após consumo de bebida, seguida de agressão.
As publicações ressaltam que parte dos fatos narrados remonta a períodos antigos e ocorreriam em diferentes jurisdições, o que pode afetar prazos e procedimentos legais.
A manifestação do artista
Pressionado por questionamentos públicos, Michael Tait divulgou em 10 de junho, no Instagram, um texto intitulado “Minha confissão”. Nele, afirma ter vivido “20 anos de abuso de cocaína e álcool”, admite “contato sensual indesejado com homens” e diz ter levado “uma vida dupla” que “magoou muita gente”. Ao mesmo tempo, contesta detalhes de alguns episódios relatados e não reconhece a totalidade das acusações.
A saída de Michael Tait do Newsboys, anunciada em janeiro, foi atribuída por ele à necessidade de tratamento; o cantor menciona período de reabilitação e afirma estar sóbrio.
Repercussão no meio gospel
Em notas e postagens, emissoras cristãs — como a rede K-LOVE — e rádios regionais retiraram músicas ligadas ao artista da programação. Ex-colegas do Newsboys disseram ter sido “enganados” e afirmam desconhecer a gravidade do quadro. Nomes da cena alternativa, como Hayley Williams (Paramore), criticaram a “cultura de encobrimento” na música cristã e pediram responsabilização das estruturas que lucram com as carreiras.
Para profissionais entrevistados, o impacto extrapola a figura de Michael Tait: contratos, turnês e curadoria de eventos passam a ser revistos com maior rigor, inclusive quanto a políticas internas de prevenção e resposta a denúncias.
Até aqui, as informações conhecidas são majoritariamente jornalísticas e testemunhais. Não há notícia de condenação criminal relacionada aos episódios descritos nas reportagens. Especialistas consultados apontam que eventuais processos — civis ou criminais — dependeriam de fatores como jurisdição, tempo decorrido, disponibilidade de prova e cooperação entre autoridades.
Advogados ouvidos de forma geral lembram que investigações desse tipo, quando formalizadas, costumam envolver análise de deslocamentos, registros de comunicação, testemunhos e perícias. A defesa do cantor tem direito ao contraditório e à ampla defesa, podendo impugnar elementos e apresentar sua própria narrativa.
Posicionamento das partes — A reportagem buscou a assessoria de Michael Tait e representantes de suas ex-bandas para comentários sobre as novas publicações. Não houve resposta até a última atualização. O espaço segue aberto.
O O Fuxico Gospel procurou a defesa de Michael Tait, bem como emissoras e ex-colegas citados nas reportagens, e mantém o espaço aberto para manifestação.
As informações acima se baseiam em apuração jornalística internacional (The Guardian, The Roys Report) e em declarações públicas. Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@ofuxicogospel.com.br.
Se você souber de situações de violência sexual, procure a Polícia Civil, acione o Disque 100 (Direitos Humanos) e, em emergências, ligue 190. Vítimas têm direito a atendimento médico, psicossocial e proteção legal.