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Presidente da AD no RN veta pulos e corridas durante os cultos

O pastor Martim Alves disse que reteté não faz parte da doutrina pentecostal clássica e reforça que adoração deve ser “com glórias e aleluias”

Por Caio Rangel • Publicado em 23/06/2025 às 11h30
Pastor Martim Alves (Reprodução)

Uma declaração recente do pastor Martim Alves, presidente das Assembleias de Deus no estado do Rio Grande do Norte, vem repercutindo fortemente nas redes sociais e causando divisão de opiniões dentro do meio pentecostal.

Durante um congresso realizado na cidade de Assú, o líder reafirmou sua defesa da doutrina pentecostal tradicional e proibiu manifestações como correr, saltar ou dar pulos durante os cultos, atitudes popularmente conhecidas como “reteté”.

Segundo Martim Alves, tais comportamentos não condizem com a liturgia da Assembleia de Deus conforme os moldes clássicos. Ele reiterou que a adoração deve se expressar verbalmente, com “glórias” e “aleluias”, e não por meio de gestos ou movimentos corporais exagerados.

O pastor também já havia restringido anteriormente o uso de palmas durante os cultos, como forma de preservar o que ele chama de reverência no altar.

A posição do religioso, no entanto, gerou forte reação nas redes e dentro do próprio segmento assembleiano. Enquanto alguns fiéis mais tradicionais aplaudiram a firmeza doutrinária, a maioria dos comentários online foi crítica, acusando Martim de tentar “limitar o agir do Espírito Santo” e impor um tipo de “controle humano” sobre a liberdade de adoração.

A situação ficou ainda mais sensível após o pastor da igreja local em Assú se pronunciar abertamente contra a fala de Martim Alves, declarando em seguida que os membros da congregação têm, sim, liberdade para adorar com alegria e expressão corporal diante de Deus.

O discurso do presidente potiguar também contrasta diretamente com a visão do pastor José Wellington Bezerra da Costa, líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Durante uma AGO da entidade, José Wellington afirmou com clareza: “Nós somos a Igreja do reteté. Deixa os crentes pular, deixa correr.”

O episódio escancara a crescente tensão entre alas mais conservadoras e as vertentes renovadas dentro da própria Assembleia de Deus, revelando que, mesmo após mais de um século de história, o debate sobre os limites e formas da adoração ainda está longe de um consenso.

No fim das contas, a fala de Martim Alves reacende um antigo embate dentro do movimento pentecostal: a tensão entre tradição e liberdade no culto. Enquanto uns defendem a reverência como essência da doutrina, outros enxergam no reteté uma expressão legítima da presença de Deus. E nesse cenário, o desafio continua sendo equilibrar ordem e mover espiritual sem sufocar a fé de ninguém.



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