Nos últimos anos, a presença evangélica em espaços culturais tradicionalmente vistos como “profanos” ou “mundanos” por igrejas conservadoras tem se tornado cada vez mais comum. Baladas, festivais, festas juninas, blocos de carnaval e até expedições motivacionais com roupagem religiosa estão sendo ocupados por grupos cristãos, revelando uma nova fase de integração com a cena cultural brasileira.
Um exemplo desse movimento é o Vira Brasil, festival de Réveillon promovido pela Igreja Lagoinha em um estádio, que contou com ingressos chegando a R$ 3.500 na área VIP.
O evento divulgado nas redes sociais por centena de internautas ganhou repercussão nacional. Nas imagens, o DJ PV aparece comandando o público com batidas eletrônicas comuns a qualquer pista de dança, mas misturadas a letras de louvor.
“Foi a primeira virada de ano organizada por uma igreja em estádio, reunindo grandes nomes do gospel. O DJ PV usa batidas normais de festa, mas sempre com músicas cristãs”, explicou Karen Santos, de 25 anos, em um vídeo publicado no TikTok que ultrapassou 68 mil curtidas.
As chamadas “baladas gospel” também se consolidaram como tendência, alcançando grande repercussão nas redes sociais. A Balada Sky, considerada a maior white party cristã do país, chega à sua 14ª edição em 2025, com edições previstas para Guarulhos, na Grande São Paulo, e Jundiaí, no interior. O evento é organizado por João Batista Ribeiro, DJ e promotor, que afirma que a proposta é criar um ambiente de celebração noturna para o público evangélico.
Geralmente, as festas começam por volta das 22h e seguem até o amanhecer, embaladas por DJs que apresentam remixes de hits gospel com elementos de funk, trap e música eletrônica. Além das pistas de dança, bandas convidadas integram a programação, reforçando a proposta de unir adoração, entretenimento e linguagem jovem.
Outras iniciativas, como cultos realizados em casas noturnas famosas — a exemplo da D-Edge, em São Paulo — e expedições motivacionais religiosas, como as promovidas pelos Legendários, reforçam a expansão desse fenômeno. As redes sociais têm potencializado essa visibilidade, acompanhada pelo crescimento contínuo da comunidade evangélica no país.