A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou forte reação entre parlamentares da base bolsonarista. Líderes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Marco Feliciano (PL-SP) usaram as redes sociais para denunciar o que classificam como “perseguição política” e “censura institucionalizada”.
A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (18), mandados de busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília, e na sede nacional do Partido Liberal.
A operação também resultou na aplicação de medidas cautelares severas contra o ex-presidente: uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, proibição do uso de redes sociais, recolhimento domiciliar noturno e restrição de comunicação com aliados — inclusive com seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que está atualmente nos Estados Unidos.
Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, criticou duramente a ação:
“Colocaram tornozeleira em Bolsonaro. Mas não há crime, não há condenação, não há prova. Só há um ‘delito’: enfrentar o sistema”, escreveu.
O deputado foi além, apontando um suposto desequilíbrio no sistema judicial brasileiro:
“Isso não é justiça. É censura. É a tentativa desesperada de calar quem ainda representa milhões. Enquanto corruptos são soltos, um ex-presidente é vigiado como bandido. Mas quem tem a verdade como escudo, não teme a mentira de toga. A história está anotando tudo. E o povo também.”
Quem também se manifestou de forma contundente foi o deputado federal Marco Feliciano. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar reagiu com indignação:
“Hoje é sexta-feira, 18 de julho, 9h48 da manhã… Chego em Ribeirão Preto e sou surpreendido com a notícia de que o STF determinou tornozeleira eletrônica para o presidente Jair Bolsonaro.”
Feliciano classificou o cenário político como alarmante e traçou paralelos com regimes autoritários da América Latina:
“Estamos assistindo à venezuelização do Brasil. Começou assim na Venezuela e em Cuba: com perseguição, censura e retirada de direitos.”
O deputado também mencionou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que haveria uma resposta internacional em curso:
“O Trump mandou um recado claro: as sanções vêm por aí”, alertou, cobrando posicionamento de lideranças globais diante do que considera um atentado à democracia brasileira.
As declarações dos dois parlamentares reforçam o discurso de que Bolsonaro estaria sendo vítima de um cerco judicial movido por razões políticas. O processo que deu origem às medidas segue sob sigilo no STF, mas está relacionado à suspeita de tentativa de obstrução de Justiça e possível coação no curso das investigações.