Rodrigo Silva é uma das figuras públicas mais conhecidas no meio cristão quando o assunto é arqueologia bíblica. Seus vídeos, livros e participações em podcasts lhe renderam popularidade além dos círculos adventistas. Mas, segundo Rodrigo Custódio, ex-membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a ascensão de Silva não é acidental — seria parte de uma estratégia pensada para atrair evangélicos de outras denominações ao adventismo.
“Ele é uma ferramenta muito bem desenhada pelo adventismo para fazer proselitismo. A ideia não é converter ateus, mas trazer fiéis de outras igrejas para o que eles chamam de ‘povo remanescente’”, afirma Custódio, em entrevista ao canal Fuxico Gospel.
Segundo ele, Rodrigo Silva assume um discurso brando, sem citar diretamente doutrinas mais polêmicas da igreja, mas transmite, aos poucos, conceitos centrais da teologia adventista. “A ausência de conhecimento dos evangélicos brasileiros sobre o que de fato é o adventismo facilita essa aproximação. O público não percebe que está consumindo uma teologia camuflada”, pontua.
Durante a entrevista, Rodrigo Custódio destacou diversas crenças atribuídas à profetisa Ellen White — considerada por adventistas como cofundadora da denominação — que seriam compartilhadas por Rodrigo Silva. Entre elas, a ideia de que Jesus retornará à Terra através da constelação de Órion e que Ele teria assumido uma natureza pecaminosa.
Custódio critica, por exemplo, a participação de Silva em um dos podcasts do Brasil Paralelo, onde o arqueólogo teria sugerido que Ellen White merece um título honorário em teologia. “Como alguém pode receber honraria se afirma que Cristo tinha uma natureza pecaminosa?”, questiona o ex-adventista.
Ainda segundo ele, mesmo os conteúdos mais acadêmicos e técnicos de Rodrigo Silva — como seus cursos e participações em conferências — seriam utilizados para criar uma ponte sutil entre o conhecimento científico e a doutrina adventista. “É uma venda lenta do adventismo do sétimo dia, feita de forma estratégica”, resume.
Rodrigo Custódio também abordou o papel do Museu de Arqueologia Bíblica, mantido pela Universidade Adventista de São Paulo (Unasp), que segundo ele é mais uma ferramenta de atração. “É uma isca. O museu tem apoio institucional da igreja e do próprio Rodrigo Silva. Muita gente doa sem saber que está financiando uma plataforma evangelística”, afirma.
Assista:
O ex-membro também comentou sobre a rigidez da Igreja Adventista quanto ao divórcio. De acordo com ele, embora oficialmente a igreja permita a separação em casos específicos, existe um estigma sobre os divorciados, que muitas vezes são excluídos ou colocados em um tipo de “geladeira eclesiástica”. “A vítima do adultério, por exemplo, pode até ser acolhida formalmente, mas continuará sendo vista como parte do problema”, relata.
Há ainda, segundo ele, casos em que a pessoa só pode voltar a exercer cargos ou ministérios na igreja se o cônjuge divorciado também casar novamente. Em outras situações, é necessário se rebatizar para “limpar o histórico” e voltar à comunhão plena.