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Obreiros devem “dar a vida pela ADPE”, diz presidente vitalício da denominação

Internautas apontam idolatria à instituição; seguidores afirmam que declaração foi mal interpretada

Por Caio Rangel • Publicado em 12/08/2025 às 09h19
Pastor Ailton José Alves (Reprodução)

Durante um culto de doutrina, o pastor Ailton José Alves, presidente vitalício da Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADPE), fez um pedido que chamou atenção e provocou reações nas redes sociais. Em tom enfático, o líder religioso orientou que os obreiros da denominação estejam dispostos a defender e honrar a igreja a ponto de entregar a própria vida por ela.

“Amem esta igreja (AD Pernambuco), sintam-se honrados em pertencer a ela, que não é fruto de divisão ou discórdia. Obreiros, defendam, deem a vida, não sejam traidores, deem a vida por ela”, declarou o pastor, visivelmente emocionado.

A fala repercutiu negativamente entre internautas, que questionaram o direcionamento dado pelo líder. Muitos lembraram que, segundo a Bíblia, Jesus Cristo já entregou a vida pela Igreja, conforme relatado em Efésios 5:25: “Maridos, amem cada um a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela”. Para críticos, a declaração teria sido uma convocação para que os obreiros demonstrassem lealdade extrema à instituição e à sua “placa”, e não necessariamente ao corpo de Cristo.

Histórico de conservadorismo e controle interno

A Assembleia de Deus em Pernambuco é considerada uma das denominações mais conservadoras e influentes do país. Entre suas práticas, há restrições para que cantores e pregadores participem de eventos em outras igrejas, com raras exceções para nomes conhecidos, como Eliã Oliveira, Canção e Louvor e Josafá.

A instituição também é conhecida por um alto índice de obreiros e pastores que deixam o ministério. Relatos apontam que líderes locais que ganham destaque em suas congregações muitas vezes são transferidos para outras cidades ou deslocados para a sede, sendo afastados de funções de liderança.

Casos que ganharam repercussão

Um episódio marcante ocorreu em 2020, quando o pastor Jônatas Lins foi surpreendido durante um culto com a notícia de que não seria mais dirigente da igreja em Barreiros-PE. Sem receber justificativas para a mudança, ele entregou a Bíblia ao pastor Ailton e, no mesmo momento, anunciou sua saída da denominação. Poucas semanas depois, fundou seu próprio ministério, a Rede Esperança.

Outro caso semelhante foi o do pastor Emir Ribeiro, que liderava uma congregação em Ipubi, no interior de Pernambuco. Após se desligar da ADPE, ele também fundou uma nova denominação, chamada Assembleia de Deus Seara.

Segundo a liderança da AD Pernambuco, todos os obreiros e pastores que se desligam da instituição são classificados como “traidores” e “rebeldes” — um rótulo que, para muitos, reforça o clima de controle interno e a lealdade exigida pela direção.

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