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Pastor Océlio Nauar pode ser afastado da Comieadepa após fala racista

Ação movida por pastor de Belém solicita suspensão cautelar de Océlio Nauar da presidência da convenção paraense até julgamento disciplinar.

Por Izael Nascimento • Publicado em 17/08/2025 às 18h34
Pastor Océlio Nauar (Reprodução)
Pastor Océlio Nauar (Reprodução)

Um pedido de afastamento cautelar foi protocolado contra o pastor Océlio Nauar, atual presidente da Convenção Interestadual de Ministros e Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Pará (Comieadepa). A ação, assinada pelo pastor Erivaldo Monteiro Marques, de Belém, foi apresentada na última quinta-feira (14) e solicita que Nauar seja suspenso de todas as funções diretivas até o julgamento final de um processo disciplinar.

Segundo a representação, o afastamento é necessário para garantir a imparcialidade da apuração e proteger a credibilidade institucional da convenção, que reúne líderes da Assembleia de Deus em todo o estado. O documento pede que o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade dê prioridade à tramitação e comunique imediatamente a Mesa Diretora sobre a substituição interina.

O requerimento se baseia no artigo 28 do Regimento Interno da Comieadepa e no artigo 54 do Estatuto Social, que autorizam a suspensão preventiva de dirigentes quando há risco de repercussão negativa à imagem da convenção. De acordo com o pastor Erivaldo, a permanência de Océlio no cargo pode gerar constrangimento de testemunhas, embaraços às diligências e desgaste contínuo da reputação da instituição.

A representação ainda sugere encaminhar cópia dos autos ao Ministério Público, diante da possibilidade de enquadramento na Lei 7.716/1989 (Lei do Racismo), uma vez que o caso ganhou repercussão estadual e nacional.

O pedido de afastamento está relacionado a uma fala de Océlio Nauar durante congresso evangélico realizado em Itaituba, no dia 9 deste mês. Na ocasião, ele afirmou a jovens presentes: “Se você escolher uma branquinha, tem mais despesa, é mais caro. Escolhe uma morena que gasta menos. As branquinhas começam a ter um negócio aqui, tem que comprar mais creme, vai ficando caro. Mas o amor é cego”.

A declaração foi transmitida ao vivo, gravada e amplamente compartilhada nas redes sociais, gerando forte reação negativa entre fiéis e internautas.

Defesa do pastor

A equipe de Océlio Nauar argumenta que a fala foi “tirada de contexto” e fazia referência a um tratamento dermatológico de sua esposa. Para os defensores, grupos com interesses políticos manipularam a declaração para prejudicar a imagem do líder religioso.

Apesar da justificativa, a representação aponta que o pastor não reconheceu a gravidade de suas palavras, preferindo adotar postura de vitimização nas redes sociais.

Momento delicado da convenção

A Comieadepa vive um período de instabilidade. Em abril, Océlio Nauar assumiu a presidência após a renúncia de Ritter Marques, que deixou o cargo em meio a um escândalo de cunho sexual. Desde então, a convenção buscava reconstruir sua imagem pública e restabelecer a confiança da comunidade.

O novo pedido de afastamento, no entanto, aprofunda a crise e pode resultar em medidas mais severas, como suspensão definitiva ou destituição do cargo, dependendo do julgamento do Tribunal de Ética e Disciplina.

Quem é o pastor Océlio Nauar

Natural de Tucuruí, no sudeste do Pará, Océlio Nauar tem 66 anos e é formado em teologia e filosofia. Ele também é professor e proprietário da Faculdade Gamaliel, instituição privada de ensino religioso e humanístico. Em 2019, participou de um culto em Brasília ao lado do então presidente Jair Bolsonaro, a quem entregou uma placa de homenagem.

O processo disciplinar agora seguirá para análise do TED da Comieadepa, que poderá deliberar pelo afastamento imediato, além de aplicar sanções que vão de advertência a exclusão definitiva do quadro diretivo. O documento ainda pede que o pastor seja obrigado a realizar retratação pública e participar de programas de formação em letramento racial e ética ministerial.

Enquanto isso, a repercussão continua crescendo nas redes sociais e entre membros da Assembleia de Deus no Pará, que aguardam a decisão da convenção sobre o futuro de seu principal dirigente.



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