O vazamento dos áudios em que o pastor Silas Malafaia conversa com Jair Bolsonaro, usando palavrões e termos duros contra adversários políticos, provocou forte repercussão no meio evangélico e trouxe à tona novamente a delicada relação do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo com o Ministério do Belém.
Segundo um pastor ligado à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), a ordem entre obreiros do Belém foi clara: “proibido comentar sobre política”. O silêncio, no entanto, não é apenas uma estratégia de contenção, mas ecoa um histórico de tensões antigas.
“O Belém não gosta do Malafaia, pois ele fez várias denúncias na televisão contra a CGADB em 2013, na campanha de José Wellington contra Samuel Câmara”, disse a fonte ao Fuxico Gospel.
Em 2013, Malafaia usou seu programa de televisão para expor críticas contundentes à estrutura da convenção. Ele destacou que, apesar do nome “Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil”, a entidade não representava as igrejas em si, mas apenas os pastores.
“A CGADB mesmo tendo o nome de convenção geral das Assembleias de Deus do Brasil, não é convenção de igrejas, ela é convenção de pastores. A igreja não tem nada a ver com isso, quem tem a ver são os pastores”, afirmou Malafaia à época.
Na ocasião, o pastor também anunciou publicamente sua renúncia ao cargo de primeiro vice-presidente da CGADB, gesto que expôs ainda mais a divisão entre ele e o grupo liderado por José Wellington.
“Eu estou anunciando aqui em alto e bom som que renunciei ao cargo de primeiro vice-presidente da CGADB e me desliguei da CGADB. (…) Eu não vou cuspir no prato que comi, mas eu podia falar coisas de arrepiar cabelo. Só o tempo vai mostrar por que tomei essa decisão”, declarou Malafaia no programa de 2013.
Esse rompimento foi lido por muitos no Ministério do Belém como uma quebra definitiva, e desde então as pontes entre as duas lideranças nunca foram totalmente reconstruídas.
O silêncio estratégico do Belém
Diante dos áudios recentes, a decisão do Belém de não se pronunciar publicamente sobre Malafaia segue uma lógica histórica: evitar reabrir feridas antigas e preservar a imagem institucional de neutralidade.
A orientação interna de evitar comentários políticos reflete não apenas uma postura de cautela, mas também a lembrança de que o nome de Silas Malafaia está associado a momentos de desgaste para a CGADB e, em particular, para José Wellington.