O apóstolo Agenor Duque, fundador da Igreja Plenitude do Trono de Deus, fez críticas duras ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar o atual cenário político e religioso do país. Em entrevista ao canal O Fuxico Gospel, Duque afirmou que Bolsonaro teria se beneficiado de diversos aliados ao longo da carreira, mas não demonstrou lealdade quando essas mesmas pessoas enfrentaram dificuldades.
A fala ocorreu durante análise sobre o papel do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), que mantém relação próxima com Bolsonaro. Segundo Duque, o pastor teria mobilizado multidões em defesa do ex-presidente, mas não receberia o mesmo respaldo caso estivesse em situação semelhante.
“Se Bolsonaro fosse preso hoje, Silas Malafaia levantaria o Brasil para defendê-lo. Mas se fosse ao contrário, se Malafaia fosse preso, eu não acredito que Bolsonaro faria o mesmo por ele ou sua família”, declarou.
Agenor Duque disse enxergar Bolsonaro como um político que utiliza estrategicamente a imagem de líderes evangélicos, mas sem oferecer contrapartida. O apóstolo lembrou nomes como Magno Malta, que teria se dedicado intensamente à campanha de 2018 após o atentado a faca contra Bolsonaro.
“Magno rodou o Brasil, ajudou, defendeu, mas depois não teve reconhecimento. Não foi apoiado quando perdeu o mandato de senador”, criticou.
Duque também mencionou a falta de apoio a outros nomes do segmento, como a senadora Damares Alves, que teria recebido respaldo maior de Michelle Bolsonaro do que do próprio ex-presidente. Para ele, isso mostra que o ex-chefe do Executivo se aproxima de figuras religiosas apenas quando há vantagem política envolvida.
Ao longo da entrevista, Agenor citou casos que, em sua avaliação, ilustram o comportamento oportunista de Bolsonaro. Entre eles, o episódio envolvendo o ex-deputado Roberto Jefferson, que apoiou o ex-presidente, mas não teria recebido o mesmo empenho em momentos de crise.
Segundo Duque, o padrão se repete em diferentes contextos: líderes religiosos e políticos que se aproximam de Bolsonaro acabam, mais cedo ou mais tarde, sem respaldo efetivo.
“Ele pede ajuda, pede oração, pede apoio, mas quando é para retribuir, não faz. Ele não é evangélico, não compartilha da fé que muitos desses pastores têm. Sua prioridade é sempre o próprio projeto político e a família”, avaliou.
Agenor Duque reconheceu que sua fala poderia gerar incômodo, principalmente em relação ao pastor Silas Malafaia, com quem já teve divergências públicas. Ainda assim, insistiu que a análise é baseada em fatos observáveis no cenário político e religioso.
“Talvez o pastor Silas não goste do que eu estou dizendo, mas essa é a realidade. Bolsonaro usa as pessoas. Quem se doou a ele ficou sem retorno. Não é uma questão de ideologia, são fatos”, destacou.
O apóstolo enfatizou que sua crítica não significa apoio ao governo atual ou a qualquer liderança de esquerda, mas sim uma constatação do comportamento do ex-presidente no trato com aliados.