Um vídeo dos jovens pregadores Miguel Oliveira e Vitória Souza fazendo uma dancinha com a música “Vai Me Criticando” se espalhou pelas redes sociais e rapidamente virou pauta entre teólogos e líderes evangélicos. A cena, que parecia apenas uma brincadeira, acabou gerando debate acalorado sobre teologia e o papel da música no meio cristão.
A canção, interpretada por Max do Corinho em parceria com Jefferson Coluna de Fogo, traz versos como: “Se você quer descobrir o segredo do meu sucesso, vai me criticando; quanto mais tu me critica meu Deus vai me abençoando”. A mensagem, baseada na ideia de críticas se transformarem em bênçãos, foi alvo de análises diferentes entre os comentaristas.
O teólogo Rodrigo Calça Lemos ironizou a situação e afirmou preferir que os jovens permaneçam no entretenimento, longe dos púlpitos: “Eu não vou criticar. É melhor a Vitória e o Miguel aqui no Instagram, fazendo dancinha, do que no culto falando besteira, né? O que vocês acham?”, disse.
Já o pastor presbiteriano e também teólogo Victor Fontana adotou um tom crítico em relação à mensagem da canção. Para ele, a melodia pode até parecer inofensiva pela forma descontraída, mas esconde um problema teológico mais profundo.
“Sabe qual que é o lance? A gente não percebe porque a dancinha faz a gente ficar envolvido na bobeira, mas a letra da canção é reveladora. ‘Vai me criticando, Deus vai me abençoando’. Isso é teologia do mal-olhado, da inveja, da superstição”, afirmou, comparando a ideia com a polêmica música Sabor de Mel, de Damares.
Fontana destacou ainda que esse tipo de mensagem reforça uma “neoprosperidade”, que segundo ele não possui base sólida nas Escrituras.
“No fundo, é só a reprodução do modelo supersticioso secular com a linguagem de crente. É bem problemática. Mais um desdobramento dessa teologia da prosperidade light, ou neoprosperidade, que nem fundamentação direito tem”, concluiu.
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