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De assaltante a teólogo: a incrível virada na vida de Augustus Nicodemus

Pastor presbiteriano revelou como foi resgatado do crime, das drogas e até de uma tentativa de suicídio

Por Caio Rangel • Publicado em 24/09/2025 às 10h21
Augustus Nicodemus (Reprodução)

Hoje respeitado como um dos principais nomes da teologia reformada no Brasil, Augustus Nicodemus nem sempre trilhou os caminhos da fé. Antes de se tornar pastor presbiteriano, escritor e referência no ensino bíblico, ele viveu uma juventude marcada por rebeldia, vícios e envolvimento com o crime. Sua trajetória de transformação, que vai do submundo da marginalidade até o púlpito, ele mesmo define como resultado direto da ação de Deus em sua vida.

Nascido em uma família protestante de classe média alta, Nicodemus cresceu ouvindo a Palavra, mas decidiu se afastar na adolescência. Aos 16 anos, motivado pela curiosidade de “experimentar o mundo”, deixou a igreja junto de amigos.

Durante um intercâmbio nos Estados Unidos, aproveitou a ausência da supervisão familiar para mergulhar em vícios.
“Minha primeira experiência sexual foi lá. Depois vieram a maconha, bebidas e seis meses de orgia. Voltei ao Brasil totalmente diferente, para a tristeza dos meus pais”, recordou em entrevista ao podcast Inteligência Ltda..

Vida no crime

Já em Recife–PE, o jovem passou a se envolver com más companhias. Liderou uma gangue de motociclistas, frequentava prostíbulos, contraiu doenças venéreas e passou a praticar assaltos. Segundo ele, a decisão de cometer crimes surgiu quando os pais reduziram a mesada.
“Cheguei a vender objetos de casa, como a câmera do meu pai e até um botijão de gás. Foi o fundo do poço, tenho vergonha de tudo isso”, admitiu.

Mesmo após abandonar os crimes aos 23 anos, Nicodemus não encontrou paz. Tentou preencher o vazio com relacionamentos e estudos, mas caiu em depressão. Em setembro de 1977, chegou a planejar o suicídio com a arma do pai.

O plano, no entanto, foi interrompido quando encontrou a mãe lendo a Bíblia. Ao perceber a angústia do filho, ela apenas disse: “Por que você não ora, meu filho? Você conhece a verdade.”

Aquele conselho mudou o rumo da história. Ele orou pela primeira vez com sinceridade e descreveu a experiência como libertadora.
“Foi como se um peso de 200 quilos caísse das minhas costas. Senti Deus me responder. Meu coração se encheu de alegria”, relatou.

A partir dali, mergulhou novamente nas Escrituras, decidiu estudar Teologia e iniciou seu ministério pastoral.

Após sua conversão, Nicodemus fez questão de reparar erros do passado. Procurou um garçom de Recife a quem devia diversas contas de bebidas e devolveu cada centavo. Também vendeu o carro para ressarcir o dono de um posto de gasolina que havia assaltado.
“Eu disse: ‘Seu Luiz, quem assaltou seu posto fui eu’. Devolvi o dinheiro com juros e entreguei uma Bíblia. Ele ficou feliz e não me denunciou”, contou.

Para o pastor, a verdadeira mudança não se limita a palavras. “O arrependimento genuíno nos leva a assumir consequências e corrigir o que fizemos de errado, ainda que isso tenha um preço.”


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