Um sermão realizado na Legacy Faith Church, em Harrisburg, Pensilvânia (EUA), provocou uma onda de críticas e debates nas redes sociais após o pastor Philip Thornton, fundador e líder da congregação, usar um rifle desativado durante sua pregação. O episódio, que ocorreu em setembro e foi transmitido pelo YouTube, mostrou o religioso apontando a arma em direção aos fiéis, o que gerou desconforto e questionamentos sobre segurança e responsabilidade no uso de armamentos dentro de um ambiente religioso.
No vídeo, que rapidamente viralizou, Thornton aparece segurando o rifle ao lado de outro homem armado com um fuzil de assalto. Em determinado momento, um raio laser proveniente da arma chegou a iluminar o rosto de pessoas nas primeiras fileiras. Apesar disso, o pastor assegurou aos presentes que o equipamento era apenas um adereço, sem munição e sem qualquer capacidade de disparo.
Em nota enviada à emissora WHP, a igreja afirmou que a arma foi utilizada como “recurso visual e simbólico”, e que sua intenção era encorajar os fiéis à “violência espiritual contra a descrença”. A instituição esclareceu ainda que o rifle estava com o percussor removido e havia sido mostrado publicamente como seguro e inofensivo.
Durante o sermão intitulado “Limpando a Sala”, o pastor declarou:
“Ele [Deus] expulsou todos, entrou como um soldado. O Reino dos Céus sofre violência.”
Mesmo assim, especialistas em segurança criticaram duramente o gesto. O consultor Emanuel Kapelsohn, referência nacional em armas de fogo, afirmou que o comportamento do líder religioso viola princípios básicos de segurança, como tratar toda arma como se estivesse carregada e nunca apontá-la para pessoas.
Outro especialista, David Sarni, professor e ex-detetive de Nova York, classificou o ato como “um exemplo de mau uso de armamento”, destacando que “existem formas mais seguras e igualmente impactantes de passar uma mensagem espiritual”.
Em nova nota, a Legacy Faith Church defendeu o pastor, afirmando que o ambiente permaneceu seguro durante todo o culto e que a ilustração foi inspirada em precedentes bíblicos, citando Mateus 11:12 e 1 Coríntios 2:14. Segundo a igreja, o objetivo era representar o combate espiritual contra a falta de fé, e não incitar qualquer tipo de violência física.
Apesar da repercussão negativa, os líderes da congregação reforçaram total apoio a Thornton, descrevendo sua ação como um ato simbólico de fé e autoridade espiritual, e não um gesto de intimidação. O episódio, no entanto, reacendeu o debate sobre os limites da dramatização em pregações religiosas e a responsabilidade dos pastores na condução de seus sermões.