A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS citou, em sessão realizada em 3 de novembro de 2025, repasses financeiros envolvendo a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), a empresa Network e pessoas ligadas ao deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM).
A apresentação foi feita pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), com base em documentos exibidos na comissão e nas notas taquigráficas do Senado. Ao final da reunião, o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira, foi preso em flagrante por falso testemunho e liberado posteriormente mediante fiança.
De acordo com a Agência Senado, o relator afirmou que a CBPA repassou cerca de R$ 1,9 milhão à Network. A partir daí, teriam ocorrido transferências para familiares de Silas Câmara e para a Fundação Boas Novas, organização sediada em Manaus.
Entre os nomes citados publicamente na sessão estão Jônatas Câmara, Heber Tavares Câmara e Milena Câmara. Em outro trecho, foram mencionados pagamentos da CBPA à empresa Conektah — que, por sua vez, teria repassado valores a Heber. A CPMI questiona a natureza dos serviços prestados e a regularidade desses contratos.
O que se sabe
Segundo a comissão, os repasses integram o contexto mais amplo da chamada Operação Sem Desconto, força-tarefa da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que apura descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários.
A CPMI — composta por senadores e deputados — foi instalada para acompanhar o caso, ouvir investigados e mapear a rota do dinheiro. A prisão do presidente da CBPA ocorreu após os parlamentares registrarem “inverdades e contradições” no depoimento dele, ainda no plenário da comissão.
Em sua exposição, Alfredo Gaspar apresentou valores que, segundo ele, constam de documentos sob análise. Entre eles, a cifra de R$ 1,9 milhão da CBPA para a Network e, a partir daí, transferências a pessoas e entidades do Amazonas. Parte desses repasses teria alcançado a Fundação Boas Novas; outra parte teria sido movimentada por parentes do parlamentar.
A comissão afirma que busca comprovar a efetiva prestação de serviços que justificariam os pagamentos. As notas taquigráficas do Senado registram a fala do relator e a menção a R$ 400 mil da CBPA para a Conektah Estratégias, com repasse subsequente a Heber Tavares Câmara.
A CPMI não condena nem imputa crime de forma definitiva. Ao fim dos trabalhos, o colegiado pode encaminhar suas conclusões e documentos a órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal e a CGU, que decidem sobre eventuais ações penais ou cíveis. No momento, os fatos permanecem em apuração, e a presunção de inocência é válida para todos os citados.
O que dizem as autoridades
A Agência Senado registrou que os integrantes da CPMI sustentam ter identificado contradições no depoimento de Abraão Lincoln, o que motivou a voz de prisão por falso testemunho. A Rádio Senado também repercutiu a detenção. Depois, ele foi liberado mediante fiança. A comissão prossegue com oitivas e quebras de sigilo aprovadas em fases anteriores. Senado Federal+1
O que diz o pastor Silas Câmara
Em nota pública divulgada após a sessão, Silas Câmara repudiou as citações e afirmou que não há irregularidades envolvendo seu nome ou de seus familiares. Segundo o texto, os contratos mencionados seriam “legais, transparentes e devidamente comprovados”, com serviços prestados, notas fiscais emitidas e tributos recolhidos.
O parlamentar também disse que todas as relações ocorreram entre empresas regulares, “sem qualquer participação ou interferência pessoal” dele.
A reportagem não localizou posicionamentos públicos diretos de Jônatas Câmara, Heber Tavares Câmara e Milena Câmara até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto para manifestações. (Se houver respostas, este conteúdo será atualizado.)
A CPMI tem cronograma de oitivas e pode aprovar novas diligências. Os parlamentares indicaram que pretendem solicitar documentos contratuais, notas fiscais e demonstrativos de serviços que teriam sido prestados. A fase de relatório final deverá propor medidas e encaminhamentos ao Ministério Público, à PF e a outros órgãos de controle.
As partes citadas foram contatadas. O espaço permanece aberto para manifestações. As informações desta reportagem se baseiam em documentos oficiais, registros taquigráficos e declarações públicas na CPMI do INSS.
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