Igreja

Centro de Convenções da Assembleia de Deus foi alugado por R$ 2 milhões para a COP30

Centro de Convenções Centenário foi alugado ao Estado para abrigar pavilhão da COP30, e decisão gerou forte reação entre fiéis; contrato foi revelado com exclusividade pelo Fuxico Gospel.

Por Izael Nascimento • Publicado em 19/11/2025 às 07h56 • Atualizado em 19/11/2025 às 07h57
Família Câmara com o governador no Centro de Convenções Centenário da Assembleia de Deus - @Reprodução
Família Câmara com o governador no Centro de Convenções Centenário da Assembleia de Deus - @Reprodução

A Assembleia de Deus em Belém, presidida pelo pastor Samuel Câmara, firmou um contrato de R$ 2 milhões com o Governo do Estado do Pará para alugar o Centro de Convenções Centenário durante a COP30. O documento, assinado pela Secretaria de Turismo (SETUR), foi revelado com exclusividade pelo Fuxico Gospel e provocou intensa repercussão entre membros da igreja.

O Centro de Convenções, localizado na avenida Augusto Montenegro, foi construído em 2011 como parte das celebrações do centenário da Assembleia de Deus no Brasil. A obra integra o patrimônio da chamada “Igreja-Mãe” e é um dos maiores espaços fechados para eventos da Região Norte, com capacidade superior a 20 mil pessoas. A construção foi financiada com recursos próprios da denominação, segundo publicações da época.

O contrato com o governo foi firmado em 7 de outubro de 2025 e prevê o uso do espaço entre 17 e 21 de novembro para abrigar o Pavilhão Pará Municípios, parte da programação oficial da COP30. O valor global é de R$ 2.000.000,00, pagos com recursos do Tesouro Estadual.

Reação dos fiéis

Imagens do evento realizado dentro do Centro de Convenções começaram a circular nas redes sociais, compartilhadas por membros da própria igreja. As gravações mostram apresentações culturais e atividades típicas da programação da COP30, o que provocou descontentamento entre fiéis que entendem que o espaço deveria ser utilizado exclusivamente para fins religiosos.

Entre os vídeos mais compartilhados está o do pastor Marcelo Campelo, que demonstrou indignação com a decisão da liderança. Ele destacou que o Centro de Convenções foi construído com dízimos e ofertas e argumentou que os membros não foram consultados sobre a cessão do espaço para um evento internacional de natureza não religiosa.

Outros fiéis também manifestaram desconforto, apontando falta de transparência sobre o destino dos recursos obtidos com a locação. Para eles, a igreja deveria apresentar publicamente como o valor será aplicado e se haverá retorno direto para ações internas, obras sociais ou manutenção da própria estrutura.

Assista:

Declaração antiga do pastor Samuel é resgatada

Em meio às críticas, voltou a circular uma matéria de 2011 em que o pastor Samuel Câmara afirmou que o Centro de Convenções “não ficaria restrito ao uso da Assembleia de Deus” e que o espaço serviria também a toda a sociedade paraense. Na ocasião, a liderança destacou que o objetivo era colaborar com o turismo e colocar Belém no mapa de grandes eventos.

A declaração ajuda a explicar a postura atual da igreja em abrir o espaço para eventos governamentais. Além da COP30, o Centro de Convenções já foi utilizado em 2020 como hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19, também mediante contrato com o estado.

Apesar disso, parte dos membros entende que, mesmo havendo precedentes, a situação atual exige maior diálogo. Para muitos, a igreja deveria apresentar com clareza como serão usados os R$ 2 milhões pagos pela SETUR.

Até o momento, a Assembleia de Deus em Belém não emitiu nota oficial sobre a repercussão do contrato nem comentou as críticas dos fiéis. O assunto segue movimentando redes sociais e grupos internos da denominação.

O Fuxico Gospel segue apurando novos desdobramentos.



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