O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) usou a tribuna da Câmara, em 26 de novembro, para criticar o bolsonarismo e admitir erros da própria trajetória política. Segundo o registro da sessão, ele afirmou que “decidi andar sozinho do que mal acompanhado” e declarou que seu antigo grupo político “não serve mais como companheiros de caminhada”.
O mea culpa — No discurso, Otoni disse que “me arrependo quando gritei mito num lugar onde só deveria cultuar o Senhor” e que “a culpa nunca foi de Bolsonaro. A culpa foi minha mesmo”. Ele afirmou estar envergonhado do radicalismo: “não parecia ali um pastor. Parecia um louco, que acha que tudo se resolve na bala e no tiro”. O deputado também revisitou falas sobre temas sensíveis, como racismo e meritocracia. Nas palavras dele: “em vez de denunciar o pecado do racismo, preferi dizer que racismo não existe na minha nação” e “como se filho de pobre pudesse concorrer com o do rico”.
O ambiente político — O pronunciamento ocorreu um dia após o STF determinar a prisão de Jair Bolsonaro. A decisão acentuou tensões entre a direita tradicional e o núcleo bolsonarista. No plenário, Otoni sustentou que seguirá na direita, mas sem vínculos com extremismos.
A repercussão — Após o discurso, parlamentares bolsonaristas atacaram o deputado nas redes, enquanto políticos de esquerda elogiaram o gesto. Entre eles, André Ceciliano (PT-RJ), que classificou a fala como necessária para reduzir o clima de confronto.
Aos jornalistas — No dia seguinte, em entrevista à revista VEJA, o deputado ampliou as críticas. Segundo a publicação, Otoni afirmou que “enquanto estivermos colados ao extremismo do bolsonarismo, nós vamos perder”, que “a direita é maior que o bolsonarismo” e que políticos conservadores ficam presos a “pautas delirantes, como o tarifaço e a anistia”. Ele também declarou: “são mentiras em cima de mentiras, e o povo está cansado disso”, reforçando que “sou de direita e conservador”. O parlamentar disse ainda que “a militância bolsonarista tenta me desconstruir já que não tem argumentos contra mim”.