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Se eu ganhar na loteria, posso devolver o dízimo? O que diz a Bíblia

Cristãos têm dúvidas sobre ofertar ou dizimar dinheiro proveniente de jogos de azar; teólogos explicam como igrejas e a Bíblia tratam esse tema.

Por Izael Nascimento • Publicado em 17/11/2025 às 10h17
Biblia aberta com um bilhete da Mega Sena dentro - @Reprodução
Biblia aberta com um bilhete da Mega Sena dentro - @Reprodução

A dúvida sobre se é permitido devolver dízimo ou ofertas com dinheiro vindo da loteria volta e meia aparece entre cristãos brasileiros. A pergunta, comum entre fiéis em templos de diferentes denominações, envolve questões bíblicas, éticas e práticas pastorais. Embora o assunto não seja abordado diretamente nas Escrituras, teólogos e líderes avaliam como princípios bíblicos podem orientar decisões sobre recursos provenientes de jogos de azar.

A Bíblia não trata especificamente de loterias modernas, mas menciona princípios sobre trabalho, honestidade, mordomia cristã e a forma como o crente administra seus bens. Pastores afirmam que a discussão não se limita ao dízimo em si, mas à natureza do dinheiro e à origem dos recursos que chegam ao altar. Por isso, cada igreja tende a interpretar o tema dentro de sua própria compreensão teológica.

Do ponto de vista histórico, igrejas evangélicas de tradição pentecostal e conservadora costumam desencorajar a participação em jogos de azar, entendendo que esse tipo de prática pode estimular dependência, ilusões financeiras ou modos de vida associados ao enriquecimento imediato. No entanto, quando o fiel questiona se pode dizimar esse dinheiro, a resposta passa a depender da linha doutrinária da denominação.

Por outro lado, líderes mais progressistas e teólogos acadêmicos afirmam que a Bíblia não impõe regras específicas sobre a origem do dinheiro quando o assunto é a devolução de dízimos ou ofertas. Eles reforçam que o dízimo, no Novo Testamento, é visto por muitas correntes como expressão voluntária de gratidão, não como obrigação imposta pela lei mosaica.

O que dizem os pastores

Lideranças evangélicas concordam que o tema envolve consciência individual e responsabilidade diante de Deus. Um grupo de pastores defende que, independentemente da origem, todo recurso recebido pelo cristão pode ser consagrado ao Senhor, desde que não envolva práticas ilícitas ou moralmente reprováveis, como corrupção, roubo ou violência. Para eles, o dinheiro da loteria não se enquadra nessas categorias, já que se trata de atividade legal no país.

Outros pastores, porém, argumentam que não é adequado entregar dízimos provenientes de jogos de azar, especialmente em denominações que desencorajam a prática. Nessas linhas teológicas, a ideia é que o fiel não deve apoiar atividades vistas como incompatíveis com valores de trabalho e vida cristã equilibrada. Nesse caso, a recomendação pastoral costuma ser que o fiel revise sua postura sobre jogos e reflita sobre seu estilo de vida.

Além disso, teólogos lembram que o dízimo, no Antigo Testamento, está associado ao fruto do trabalho, o que leva parte das denominações a entender que recursos vindos de apostas não se enquadram nesse contexto. Já outras correntes reforçam que o princípio espiritual do dízimo é a entrega voluntária, e não a fonte específica do recurso.

O que diz a Bíblia sobre o assunto

A Bíblia não cita loterias nem traz proibição explícita sobre apostas, mas apresenta princípios relevantes. Entre eles:

  • A prática da mordomia, que envolve administrar o que se recebe com responsabilidade;

  • O princípio da honestidade, que rejeita ganhos ilícitos;

  • A ideia de que o coração do cristão deve ser movido pela gratidão e não pela busca de riquezas imediatas;

  • O ensino de que a fé cristã valoriza trabalho e diligência, não sorte ou tentativas rápidas de enriquecimento.

Diante disso, teólogos apontam que devolver o dízimo de um prêmio de loteria não é uma questão de proibição bíblica, mas de consciência individual e orientação pastoral. Para muitos pastores, a pergunta central não é “posso dizimar esse dinheiro?”, mas “como devo entender minha relação com Deus e com os recursos que recebo?”.

Em linhas gerais, as igrejas recomendam que o fiel converse com sua liderança, reflita sobre sua motivação e busque agir com sinceridade diante de Deus. A decisão final, em grande parte das denominações, é tratada como uma questão pessoal, não como mandamento.


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