Brasil

Quantos evangélicos receberam o Bolsa Família em 2025?

Governo não divulga informação por religião, mas dados oficiais e estudos permitem estimar o peso da população evangélica dentro do programa.

Por Izael Nascimento • Publicado em 17/11/2025 às 14h52
Cartão do Bolsa Família sobre a biblia sagarada - @Reprodução
Cartão do Bolsa Família sobre a biblia sagarada - @Reprodução

A pergunta “quantos evangélicos recebem o Bolsa Família?” circula com frequência nas redes sociais, especialmente em debates que envolvem política, fé e programas sociais. Apesar da curiosidade crescente, a resposta direta não existe nos bancos de dados do governo federal. Isso porque o Cadastro Único — base oficial do Bolsa Família — não coleta informação sobre religião. Sem esse campo, o Ministério do Desenvolvimento Social não consegue dizer quantos beneficiários são evangélicos, católicos, espíritas ou sem religião.

Mesmo sem números oficiais, especialistas afirmam que é possível entender o cenário de forma segura combinando informações demográficas e dados consolidados do programa. O Brasil encerrou 2025 com cerca de 19 a 20 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, o que representa mais de 50 milhões de pessoas. Dentro desse grupo, estão cidadãos de diferentes perfis sociais, etnias, níveis educacionais e crenças.

No Censo Demográfico de 2022, os evangélicos representavam 26,9% da população brasileira, o que indica a presença expressiva desse segmento em praticamente todas as faixas de renda. Pesquisadores que estudam políticas públicas afirmam que, entre os mais pobres — justamente o público-alvo do Bolsa Família —, a proporção de evangélicos é ainda maior, devido à forte presença dessas igrejas em comunidades de baixa renda, periferias urbanas e áreas rurais.

O sociólogo e pesquisador em religião Ricardo M. Santos, ouvido pelo Fuxico Gospel, explica que a participação evangélica no programa é consequência direta da composição social do país.

“Os evangélicos são maioria em centenas de municípios de baixa renda. Quando olhamos para o público que mais depende de políticas sociais, vemos uma forte presença de igrejas pentecostais e neopentecostais. Isso não significa que o programa tenha viés religioso. Significa apenas que quem está na pobreza no Brasil, em boa parte, é evangélico”, afirma.

Leia: Confira o calendário do Bolsa Família 

O que os dados permitem concluir com segurança

Sem números oficiais, qualquer cálculo exato seria irresponsável. No entanto, cruzando dados confiáveis, pesquisadores indicam três pontos fundamentais:

  1. O governo não mede religião no Bolsa Família.
    Não existe, em nenhum relatório público, tabela que indique quantos evangélicos recebem o benefício.

  2. Mais de 50 milhões de brasileiros receberam o Bolsa Família em 2025.
    Esse número inclui todas as crenças, sem distinção.

  3. Evangélicos tendem a ser maioria entre famílias de baixa renda.
    Estudos de campo mostram que a base social das igrejas evangélicas está concentrada justamente em comunidades atendidas pelo programa.

A economista e pesquisadora de políticas sociais Lúcia Torres afirma que estimar números absolutos sem banco de dados é especulativo.

“O que podemos afirmar com segurança é que milhões de evangélicos receberam o benefício em 2025, porque milhões de brasileiros pobres são evangélicos. Mas não é possível cravar ‘X milhões’ sem fontes oficiais. E nenhum órgão público divulga isso”, explica.

O que dizem os evangélicos que recebem o benefício

No recorte feito pelo Fuxico Gospel com beneficiários em áreas urbanas de baixa renda, muitos evangélicos afirmam que o programa é essencial para garantir alimentação e estabilidade mínima.

A diarista Adriana L., membro de uma igreja pentecostal em Maceió, afirmou que o Bolsa Família foi fundamental em um período de desemprego.

“Eu tenho fé que Deus sustenta, mas também sei que esse dinheiro faz diferença no fim do mês. Minha igreja não vê problema nenhum nisso. Pelo contrário, muitos lá dependem desse auxílio.”

Já o pedreiro Carlos J., de uma comunidade na Região Metropolitana do Recife, diz que o assunto costuma gerar polêmica na internet, mas não na vida real.

“Na igreja, ninguém pergunta se você recebe ou não. O que vejo é que muita gente fala sem conhecer a realidade de quem vive com pouco.”

Por que o governo não divulga religião no Cadastro Único

Especialistas explicam que essa ausência não é uma falha, mas uma escolha técnica. A legislação brasileira impede coleta de dados que possam expor crenças pessoais sem necessidade clara. A inclusão de religião no Cadastro Único não teria impacto direto na execução do programa e poderia gerar interpretações indevidas, como a ideia de que grupos religiosos poderiam ser favorecidos.

Segundo analistas, essa neutralidade mantém o Bolsa Família como uma política de Estado, não de grupos específicos.



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