Cantor

Carlinhos Felix revela episódio em que Rebanhão tocou em boate para evangelizar

Pioneiro do rock cristão, cantor narra momento onde o grupo trocou o medo do julgamento pela oportunidade de pregar para criminosos

Por Caio Rangel • Publicado em 16/01/2026 às 11h29
Cantor gospel Carlinhos Félix cantando e tocando violão durante apresentação cristã, com cenário temático ao fundo.
Carlinhos Félix se apresenta cantando e tocando violão em evento cristão comemorativo. (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO (SP) — O cantor Carlinhos Felix, ex-integrante da histórica banda Rebanhão, revisitou um dos episódios mais emblemáticos — e controversos — do rock gospel nacional. Durante participação no SuperGospel+, o artista contou detalhes do dia em que o grupo decidiu tocar em uma boate localizada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, atendendo a um convite do fundador da banda, Janires.

Uma decisão que contrariava o sistema religioso

Segundo Carlinhos Felix, a proposta gerou medo imediato entre os integrantes. Naquele período, a presença de uma banda cristã em ambientes considerados “mundanos” era vista como escândalo por grande parte das lideranças evangélicas. Ainda assim, Janires insistiu que o local representava um campo missionário ignorado pelas igrejas tradicionais.

Para o vocalista, a lógica era simples: alcançar pessoas que jamais cruzariam as portas de um templo. O grupo sabia que enfrentaria críticas, mas decidiu assumir o risco por entender que o Evangelho não deveria ficar restrito a espaços religiosos.

Da tensão ao impacto espiritual

Felix descreveu o ambiente da boate como carregado e hostil no início da apresentação. No entanto, o clima começou a mudar à medida que o repertório de rock avançava e a mensagem central foi apresentada. O momento decisivo, segundo ele, ocorreu quando Janires ministrou sobre a parábola do Filho Pródigo.

O que veio em seguida surpreendeu até os próprios músicos. Conforme o relato, grande parte do público se ajoelhou espontaneamente. Em seguida, Janires fez um apelo direto para que armas e drogas fossem entregues. O palco, então, passou a receber uma quantidade expressiva de materiais ilícitos, gerando apreensão entre os integrantes da banda, que temiam a chegada da polícia.

Desfecho seguro e marca permanente

O episódio teve um final tranquilo porque, segundo Carlinhos, um policial que acompanhava a banda assumiu a responsabilidade de dar o destino correto às armas e entorpecentes recolhidos. Para o cantor, a experiência foi determinante na construção de sua visão ministerial e na identidade do Rebanhão como um grupo disposto a romper barreiras sociais e religiosas.

Atualmente em carreira solo, Carlinhos Felix afirma que os ensinamentos vividos ao lado do Rebanhão permanecem como um legado espiritual que carrega até hoje, acima de qualquer projeto musical.

Uma história que dialoga com o presente

Relembrada em 2026, a passagem do Rebanhão pela Baixada Fluminense contrasta com o modelo predominante de “igrejas-espetáculo” do cenário atual. Nos anos 1980, o Rio de Janeiro vivia um período crítico de violência urbana, e a ocupação de espaços seculares por bandas cristãs foi fundamental para a profissionalização e expansão do mercado gospel.

O resgate dessas narrativas encontra eco em uma nova geração de cristãos menos institucionalizados, que busca uma fé prática, engajada e socialmente relevante. A história contada por Carlinhos Felix reforça que a música cristã brasileira nasceu, em grande parte, da disposição de atravessar fronteiras morais e geográficas para alcançar as periferias urbanas — onde o Evangelho encontrou solo fértil longe dos púlpitos tradicionais.

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