SOROCABA (SP) — Em uma transmissão ao vivo que parou o meio gospel nesta quarta-feira (13), a cantora e compositora Vanilda Bordieri rompeu um silêncio de décadas ao revelar, pela primeira vez, que foi vítima de abuso sexual aos 16 anos.
O relato, descrito como “tenebroso” pela própria artista, detalha não apenas o crime cometido por um presbítero da época, mas uma rede de proteção institucional que envolveu manipulação, uso de medicamentos e difamação pública por parte da liderança da igreja.
Cárcere, Abuso e a Intervenção Divina
Vanilda relatou que, enquanto integrava um grupo de louvor em Sorocaba, foi pressionada por membros da igreja a se envolver com um presbítero recém-separado e muito mais velho.
Sob manipulação, ela foi levada para um sítio onde o abuso ocorreu. “Fui abandonada no local e fiquei sozinha por dias, sem saber como voltar para casa”, contou a cantora. Segundo ela, o paradeiro só foi descoberto após seu irmão ter uma revelação divina sobre o local onde ela estava escondida.
O Culto ao Silêncio e a Inversão de Culpa
O depoimento de Vanilda expõe o lado obscuro do aconselhamento eclesiástico da época. Ela afirmou que mulheres da congregação lhe deram remédios para evitar uma gravidez e a obrigaram a manter silêncio.
Para agravar a dor, o pastor da instituição aplicou uma disciplina pública na jovem e inventou que ela “já não era virgem” para descredibilizar o abuso e proteger o presbítero. A orientação da liderança foi para que os fiéis não a abraçassem, impondo um isolamento social devastador.
O Efeito Helena Raquel
Embora Vanilda afirme que a luta contra o abuso sempre foi uma pauta de sua vida, ela reconheceu que a coragem para falar agora veio após a pregação viral da pastora Helena Raquel. O relato de Vanilda serve como uma denúncia estrutural sobre como o “sistema religioso” muitas vezes destrói a vítima para preservar a imagem dos cargos.
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