RIO DE JANEIRO (RJ) — Com mais de 30 anos de ministério consolidados em 2026, Mattos Nascimento carrega uma das trajetórias mais singulares da música cristã nacional. Antes de se tornar referência absoluta no gospel pentecostal, o cantor viveu uma tentativa pouco lembrada — e frustrada — no mercado secular, adotando o nome artístico “Tusa”.
Uma tentativa fora do altar
Na década de 1980, antes da conversão, Mattos atuou como trombonista de apoio da banda “Os Paralamas do Sucesso”, integrando o circuito profissional da música popular brasileira. Em 1986, decidiu investir em carreira solo no segmento secular e lançou um compacto duplo sob o pseudônimo de Tusa.
O projeto trazia faixas como “Melô do Machão” e “Um Grande Amor”, mas não alcançou repercussão comercial. À época, o insucesso representou frustração; hoje, Mattos interpreta o episódio como parte de um processo de direcionamento espiritual que antecedeu sua conversão ao cristianismo.
Do fracasso secular ao louvor
Anos depois, um detalhe curioso resgatou aquele período esquecido. A melodia de “Um Grande Amor” foi reaproveitada em 2015, já no auge de sua carreira gospel, dando origem à canção “Meu Grande Amor”, lançada no álbum ‘Ora que Melhora’. A nova versão manteve a base musical, mas teve a letra completamente reformulada, substituindo o discurso romântico por uma declaração de fé e devoção a Jesus.
O reaproveitamento simbolizou, para muitos fãs, a redenção artística de um passado secular transformado em ferramenta de louvor.
Atividade intensa apesar dos limites físicos
Mesmo enfrentando desafios de saúde em 2026, Mattos Nascimento permanece ativo. O cantor convive com problemas crônicos de cartilagem nos joelhos, o que o obriga a realizar parte de suas ministrações sentado. Ainda assim, a limitação física não compromete sua principal marca: uma potência vocal que segue sendo referência no meio gospel.
Recentemente, ele lançou os clipes das canções “Jesus” e “Minha Vida Mudou”, gravados durante a produção de seu DVD em Goiânia, reforçando que sua atuação artística permanece relevante mesmo diante das restrições corporais.
Um retrato da evolução do gospel brasileiro
A trajetória de Mattos Nascimento ilustra a transformação do gospel nacional ao longo das últimas décadas. Sua formação técnica no ambiente secular dos anos 80 ajudou a moldar o alto nível vocal que se tornaria marca registrada das grandes vozes pentecostais dos anos 90.
Em um mercado que, no cenário secular, costuma descartar artistas veteranos, o gospel segue operando sob outra lógica. A permanência de Mattos nos palcos evidencia a força de um público que valoriza história, unção e legado acima de tendências passageiras. Em tempos de streaming acelerado e inteligência artificial aplicada à música, a longevidade de nomes como Mattos mantém vivo o catálogo clássico e sustenta uma memória coletiva que resiste à efemeridade da indústria contemporânea.
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