Um fenômeno inédito se instalou no universo da música cristã. Solomon Ray, um artista que não existe fora das telas, conquistou o 1º lugar entre os álbuns gospel e cristãos mais vendidos do iTunes. O “cantor” é inteiramente produto de Inteligência Artificial: voz, aparência, postura, letras e identidade pública.
A informação foi divulgada nas próprias redes de Solomon Ray, onde o personagem acumula milhares de seguidores desde o lançamento, há pouco mais de três semanas.
Segundo publicação no Instagram:
“Solomon Ray já não é ‘a experiência de IA’. Ele é agora a maior nova voz na música gospel — ponto final. […] O futuro chegou mais rápido do que alguém esperava.”
O resultado gerou interesse, estranhamento e reações intensas no meio cristão.
Topher assume autoria: “Para mim, é arte”
O responsável pelo projeto é o artista americano Christopher “Topher” Townsend, que divulgou vídeo no dia 19 de novembro revelando ser o criador do personagem.
Em suas palavras:
“Esta é uma extensão da minha criatividade. […] Pode não ser interpretada por um cristão, mas não sei por que isso realmente importa no final das contas.”
A declaração provocou ainda mais debate, principalmente pela apropriação do rótulo gospel por um avatar sem vida espiritual.
Divisão na internet: admiração, críticas e alerta
Nas redes, a reação foi imediata. Alguns usuários comemoraram a inovação; outros encararam como ameaça à música cristã.
“Não se deixe enganar por esta música sem alma. É IA!,” criticou um internauta.
“Não quero saber se é IA. Eu adoro,” defendeu outro.
Enquanto isso, Solomon Ray soma 50,2 mil seguidores no Instagram e cerca de 480 ouvintes mensais no Spotify — números considerados expressivos para um artista recém-criado.
O avanço do personagem reacendeu discussões sobre transparência.
A Meta e o Spotify possuem políticas para rotular conteúdos gerados por IA, mas o perfil de Solomon Ray não apresenta consistência: alguns vídeos têm avisos; outros não.
Em setembro, o Spotify anunciou novas regras contra conteúdos enganosos e simulações de identidade. Mesmo assim, o personagem segue ativo no catálogo gospel.
Impacto no segmento gospel
O caso abre um debate inevitável: um “ministro artificial” pode liderar um ranking baseado em fé e experiência espiritual?
A comunidade está dividida:
– Parte vê como ameaça à autenticidade do gospel;
– Parte considera apenas mais uma forma de produção musical;
– Outros temem que ouvintes acreditem tratar-se de um artista real.
O episódio também levanta questionamentos sobre direitos autorais, ética criativa e o futuro da música cristã diante da inteligência artificial.
Por enquanto, Solomon Ray segue crescendo e ocupando espaço no digital — mesmo sem existir fora dele.