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IA invade o gospel: personagem artificial supera cantores reais no iTunes

Sucesso de Solomon Ray levanta alerta sobre rotulagem, ética e o futuro da música cristã

Por Caio Rangel • Publicado em 27/11/2025 às 10h43
Cantor criado por IA Solomon Ray (Reprodução)

Um fenômeno inédito se instalou no universo da música cristã. Solomon Ray, um artista que não existe fora das telas, conquistou o 1º lugar entre os álbuns gospel e cristãos mais vendidos do iTunes. O “cantor” é inteiramente produto de Inteligência Artificial: voz, aparência, postura, letras e identidade pública.

A informação foi divulgada nas próprias redes de Solomon Ray, onde o personagem acumula milhares de seguidores desde o lançamento, há pouco mais de três semanas.

Segundo publicação no Instagram:

“Solomon Ray já não é ‘a experiência de IA’. Ele é agora a maior nova voz na música gospel — ponto final. […] O futuro chegou mais rápido do que alguém esperava.”

O resultado gerou interesse, estranhamento e reações intensas no meio cristão.

Topher assume autoria: “Para mim, é arte”

O responsável pelo projeto é o artista americano Christopher “Topher” Townsend, que divulgou vídeo no dia 19 de novembro revelando ser o criador do personagem.

Em suas palavras:

“Esta é uma extensão da minha criatividade. […] Pode não ser interpretada por um cristão, mas não sei por que isso realmente importa no final das contas.”

A declaração provocou ainda mais debate, principalmente pela apropriação do rótulo gospel por um avatar sem vida espiritual.

Divisão na internet: admiração, críticas e alerta

Nas redes, a reação foi imediata. Alguns usuários comemoraram a inovação; outros encararam como ameaça à música cristã.

“Não se deixe enganar por esta música sem alma. É IA!,” criticou um internauta.

“Não quero saber se é IA. Eu adoro,” defendeu outro.

Enquanto isso, Solomon Ray soma 50,2 mil seguidores no Instagram e cerca de 480 ouvintes mensais no Spotify — números considerados expressivos para um artista recém-criado.

O avanço do personagem reacendeu discussões sobre transparência.
A Meta e o Spotify possuem políticas para rotular conteúdos gerados por IA, mas o perfil de Solomon Ray não apresenta consistência: alguns vídeos têm avisos; outros não.

Em setembro, o Spotify anunciou novas regras contra conteúdos enganosos e simulações de identidade. Mesmo assim, o personagem segue ativo no catálogo gospel.

Impacto no segmento gospel

O caso abre um debate inevitável: um “ministro artificial” pode liderar um ranking baseado em fé e experiência espiritual?

A comunidade está dividida:

– Parte vê como ameaça à autenticidade do gospel;
– Parte considera apenas mais uma forma de produção musical;
– Outros temem que ouvintes acreditem tratar-se de um artista real.

O episódio também levanta questionamentos sobre direitos autorais, ética criativa e o futuro da música cristã diante da inteligência artificial.

Por enquanto, Solomon Ray segue crescendo e ocupando espaço no digital — mesmo sem existir fora dele.



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