SÃO PAULO (SP) — O apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, voltou a provocar debates nas redes sociais ao afirmar que o cantor Michael Jackson teria se convertido ao cristianismo poucas semanas antes de sua morte, em 2009. A declaração, segundo o religioso, estaria baseada em relatos que circulam há anos no meio gospel norte-americano.
De acordo com Hernandes, Jackson teria solicitado a presença do pianista e cantor gospel Andraé Crouch cerca de três semanas antes de falecer. Ainda segundo o apóstolo, durante esse encontro o astro do pop teria pedido que fosse tocado o hino “It Won’t Be Long” e, na ocasião, realizado uma oração entregando sua vida a Jesus Cristo.
Em publicação, Hernandes afirmou que testemunhos e cartas sustentariam a narrativa da conversão, tratando o episódio como um fato consumado, apesar da ausência de registros oficiais ou declarações diretas do próprio artista à época.
Versões conflitantes
A afirmação, no entanto, não encontra consenso nem mesmo entre pessoas próximas ao círculo gospel citado. Sandra Crouch, irmã de Andraé Crouch, já declarou publicamente que não houve uma conversão formal de Michael Jackson nos moldes descritos por lideranças religiosas. Esse posicionamento lança dúvidas sobre a veracidade do relato divulgado por Hernandes.
Produtores musicais que trabalharam com Jackson, como Rodney Jerkins, chegaram a mencionar que o cantor demonstrava interesse por temas espirituais e mantinha diálogos sobre fé cristã nos últimos anos de vida. Ainda assim, essas declarações nunca evoluíram para uma confirmação pública de conversão religiosa.
Uma trajetória espiritual marcada por ambiguidades
A relação de Michael Jackson com a espiritualidade sempre foi complexa. Criado dentro da tradição das Testemunhas de Jeová, o cantor se afastou oficialmente da organização em 1987, após críticas internas relacionadas ao videoclipe Thriller.
Anos depois, em 2008, surgiram notícias internacionais sugerindo que o artista teria se convertido ao islamismo, adotando o nome Mikaeel. A informação, porém, jamais foi confirmada de forma direta por Jackson, permanecendo no campo das especulações.
Narrativas envolvendo supostas conversões de celebridades mundiais pouco antes da morte não são novidade no meio neopentecostal. Em muitos casos, esses relatos funcionam como instrumentos simbólicos para reforçar a centralidade do cristianismo na cultura global.
Ao associar a figura do “Rei do Pop” ao cristianismo, a fala de Estevam Hernandes dialoga menos com dados verificáveis e mais com o imaginário coletivo, sustentando a ideia de que nenhum ícone cultural estaria fora do alcance da fé evangélica.
A ausência de comprovação documental, porém, mantém o episódio no campo da controvérsia — mais próximo da retórica religiosa do que do registro histórico.
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