Histórias de Fé

Linguista encontrou povo sem alfabeto em 1997; quase 30 anos depois, um avião levou a Bíblia na língua deles

Projeto transformou o onobasulu em língua escrita e terminou com mais de 2 mil pessoas reunidas em uma região remota de Papua-Nova Guiné.

Por Pr. Bruno Valadão • Publicado em 26/08/2026 às 07h45 • Atualizado em 25/08/2026 às 08h47
Comunidade recebe caixas descarregadas de um avião em pista na floresta
Imagem ilustrativa criada com inteligência artificial para representar a entrega de Bíblias por avião à comunidade Onobasulu; a cena não retrata o episódio real.

Quando a linguista holandesa Anne Stoppels chegou à aldeia de Walagu, em 1997, não existia um livro escrito em onobasulu.

A língua falada por aquela comunidade de Papua-Nova Guiné não possuía sequer um alfabeto formalizado.

Stoppels acreditava que o trabalho poderia levar 15 anos. A missão consumiu quase o dobro do tempo previsto e reuniu tradutores, especialistas em alfabetização e pilotos.

Em 2026, um avião finalmente pousou na região levando caixas com o Novo Testamento na língua do povo.

Antes de traduzir, foi preciso criar uma escrita

A equipe não poderia simplesmente substituir palavras de um idioma por outro.

Primeiro, os pesquisadores precisaram ouvir os moradores, identificar sons, estabelecer símbolos e desenvolver um sistema de escrita compreensível para a comunidade.

Depois vieram a tradução, as revisões e o ensino da leitura.

Stoppels contou à CBN News que decidiu se tornar tradutora bíblica ainda aos 15 anos, depois de ler um livro sobre missões.

Em Walagu, o projeto que imaginava concluir em uma fase da vida se transformou em sua principal obra.

Outros profissionais assumiram partes da jornada

O trabalho atravessou décadas e contou com pessoas de diferentes países.

O tradutor suíço Johann Alberts participou durante dez anos. A americana Liz Buesnel trabalhou com alfabetização bíblica.

A australiana Shelley Weeks retornou à região quase 30 anos depois de sua primeira passagem.

A aviação foi indispensável. As pistas da região podem ser de grama, barro, cascalho ou argila e ficam cercadas por terrenos montanhosos.

Aeronaves levaram tradutores, papel, material escolar, alimentos e itens usados na construção de escolas e postos comunitários.

Alguns caminharam quatro dias para receber o livro

A cerimônia de dedicação reuniu mais de 2 mil pessoas, segundo a reportagem.

Moradores de áreas vizinhas caminharam entre seis e oito horas. Outros viajaram por quatro dias através da floresta.

Na chegada das caixas, centenas de pessoas se reuniram com cânticos e folhas de palmeira.

Pela primeira vez, podiam segurar o Novo Testamento no idioma usado em casa e transmitido entre gerações.

Áudio solar tenta alcançar quem ainda não lê

A impressão dos livros não resolveu todas as barreiras.

Muitos adultos ainda estão aprendendo a ler e diversas casas não possuem eletricidade. Por isso, o projeto também distribuiu aparelhos de áudio abastecidos por pequenos painéis solares.

O recurso permite ouvir os textos durante atividades diárias e não depende de uma rede elétrica regular.

Stoppels resumiu a dimensão pessoal da jornada ao afirmar que dedicou a vida a uma comunidade de aproximadamente 2 mil pessoas.

Em um país com mais de 800 línguas, o fim desse projeto também evidencia quanto trabalho ainda existe. Segundo a reportagem, apenas 17 idiomas de Papua-Nova Guiné possuem a Bíblia completa.

A Palavra em diferentes lugares

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Fonte: reportagem da CBN News, com entrevistas dos participantes do projeto.

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