Quando a linguista holandesa Anne Stoppels chegou à aldeia de Walagu, em 1997, não existia um livro escrito em onobasulu.
A língua falada por aquela comunidade de Papua-Nova Guiné não possuía sequer um alfabeto formalizado.
Stoppels acreditava que o trabalho poderia levar 15 anos. A missão consumiu quase o dobro do tempo previsto e reuniu tradutores, especialistas em alfabetização e pilotos.
Em 2026, um avião finalmente pousou na região levando caixas com o Novo Testamento na língua do povo.
Antes de traduzir, foi preciso criar uma escrita
A equipe não poderia simplesmente substituir palavras de um idioma por outro.
Primeiro, os pesquisadores precisaram ouvir os moradores, identificar sons, estabelecer símbolos e desenvolver um sistema de escrita compreensível para a comunidade.
Depois vieram a tradução, as revisões e o ensino da leitura.
Stoppels contou à CBN News que decidiu se tornar tradutora bíblica ainda aos 15 anos, depois de ler um livro sobre missões.
Em Walagu, o projeto que imaginava concluir em uma fase da vida se transformou em sua principal obra.
Outros profissionais assumiram partes da jornada
O trabalho atravessou décadas e contou com pessoas de diferentes países.
O tradutor suíço Johann Alberts participou durante dez anos. A americana Liz Buesnel trabalhou com alfabetização bíblica.
A australiana Shelley Weeks retornou à região quase 30 anos depois de sua primeira passagem.
A aviação foi indispensável. As pistas da região podem ser de grama, barro, cascalho ou argila e ficam cercadas por terrenos montanhosos.
Aeronaves levaram tradutores, papel, material escolar, alimentos e itens usados na construção de escolas e postos comunitários.
Alguns caminharam quatro dias para receber o livro
A cerimônia de dedicação reuniu mais de 2 mil pessoas, segundo a reportagem.
Moradores de áreas vizinhas caminharam entre seis e oito horas. Outros viajaram por quatro dias através da floresta.
Na chegada das caixas, centenas de pessoas se reuniram com cânticos e folhas de palmeira.
Pela primeira vez, podiam segurar o Novo Testamento no idioma usado em casa e transmitido entre gerações.
Áudio solar tenta alcançar quem ainda não lê
A impressão dos livros não resolveu todas as barreiras.
Muitos adultos ainda estão aprendendo a ler e diversas casas não possuem eletricidade. Por isso, o projeto também distribuiu aparelhos de áudio abastecidos por pequenos painéis solares.
O recurso permite ouvir os textos durante atividades diárias e não depende de uma rede elétrica regular.
Stoppels resumiu a dimensão pessoal da jornada ao afirmar que dedicou a vida a uma comunidade de aproximadamente 2 mil pessoas.
Em um país com mais de 800 línguas, o fim desse projeto também evidencia quanto trabalho ainda existe. Segundo a reportagem, apenas 17 idiomas de Papua-Nova Guiné possuem a Bíblia completa.
A Palavra em diferentes lugares
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Fonte: reportagem da CBN News, com entrevistas dos participantes do projeto.