Em 2018, Deive Leonardo gravou a primeira série de mensagens diante de 35 pessoas. O projeto se chamava Direção e ainda estava distante dos auditórios lotados que passariam a acompanhar o pregador.
Dois anos depois, quando uma gravação precisou ser adaptada ao formato drive-in durante a pandemia, os ingressos se esgotaram em 40 segundos.
Entre os dois momentos havia uma escolha profissional difícil: deixar o Direito e dedicar tempo integral ao ministério.
Uma profissão deixada para trás
Deive é formado em Direito. Em entrevista à revista Comunhão, ele explicou que a profissão parecia ser o destino natural de sua vida, mas que o trabalho ministerial passou a exigir uma entrega completa.
O pregador não apresentou a decisão como uma regra para outras pessoas. Ao contrário, disse que alguém pode exercer profissões como medicina ou advocacia e continuar servindo a Deus.
No caso dele, porém, a dedicação integral se tornou uma escolha pessoal. Deive reconheceu que o começo foi difícil, embora tenha definido a decisão como a melhor de sua vida.
O primeiro público cabia em uma sala
Na mesma conversa, ele relembrou que a série Direção começou com apenas 35 participantes. O número importa porque mostra que o alcance digital não nasceu do dia para a noite.
As gravações passaram a ser organizadas em séries e ganharam espaço no YouTube. Deive disse que começou a produzir de forma intencional, procurando usar a internet para levar mensagens a pessoas de diferentes contextos religiosos.
Quando a pandemia impediu o modelo tradicional de auditório, a equipe adotou o drive-in. A procura surpreendeu: todas as vagas foram preenchidas em menos de um minuto.
O que mudou — e o que ele diz ter permanecido
O crescimento trouxe milhões de seguidores e apresentações fora do Brasil. Ainda assim, Deive costuma insistir que a mensagem é maior do que quem a comunica.
Essa frase funciona como uma chave para compreender a história. Os números aumentaram, mas o projeto continua se apresentando como uma tentativa de aproximar o público de uma mensagem cristã simples e acessível.
A trajetória guarda semelhança com a de Eli Soares, que viu um trajeto cotidiano se transformar no palco de uma gravação. Os resultados apareceram depois de passos pequenos, repetidos por tempo suficiente.
As 35 pessoas da primeira série não eram um sinal de fracasso. Eram o começo real de um trabalho que ainda não tinha como antecipar o tamanho que alcançaria.