Histórias de Fé

A tia de Kirk Franklin recolhia latas e jornais para pagar suas aulas de piano; aos 11 anos, ele já dirigia um coro de adultos

Criado pela tia Gertrude após ser abandonado pelos pais, músico encontrou no piano e na igreja o começo de sua trajetória.

Por Pr. Bruno Valadão • Publicado em 26/08/2026 às 22h00 • Atualizado em 25/08/2026 às 11h54
Kirk Franklin se apresentando em show ao vivo - @Reprodução
Kirk Franklin se apresentando em show ao vivo - @Reprodução

Muito antes dos Grammys e das turnês internacionais, a música de Kirk Franklin dependia de latas e jornais recolhidos por uma mulher idosa no Texas.

Gertrude, a tia que o criou, reciclava o material para pagar as aulas de piano do menino. Kirk tinha 4 anos quando começou a estudar.

Aos 11, ele já dirigia um coro de adultos na igreja.

Uma criança criada pela tia

Kirk Franklin nasceu em Fort Worth e foi abandonado pela mãe ainda pequeno. Sem conhecer o pai, foi acolhido por Gertrude, a quem mais tarde chamaria de “o anjo que me criou”.

Em entrevista à revista britânica Keep The Faith, o músico confirmou que a tia vendia latas para custear as aulas. Outro depoimento registra que ela também recolhia jornais.

O investimento não era apenas financeiro. Gertrude o levava à igreja e estimulava uma rotina em que música e fé se tornaram inseparáveis.

O piano virou companhia

Em entrevista exibida pela PBS, Kirk contou que cresceu praticamente acompanhado pelo piano. Quando criança, subia ao telhado à noite para conversar com Deus, cantar e chorar.

Ele relaciona essa intimidade ao vazio deixado pela ausência dos pais. A fé passou a ser compreendida como uma relação de pai e filho antes que o artista pudesse organizar em palavras os traumas da infância.

O talento apareceu cedo. Kirk aprendeu a tocar de ouvido, desenvolveu leitura e escrita musical e passou a conduzir outros cantores quando ainda era criança.

Das latas aos discos de platina

Em 1993, Kirk Franklin and The Family levou a combinação de coro, hip-hop e R&B a um público muito maior. O álbum permaneceu por semanas nas paradas gospel e alcançou certificação de platina.

O reconhecimento posterior não apaga a origem. A biografia oficial do artista ainda destaca Gertrude e registra que o piano começou aos 4 anos.

A história dialoga com a de Eli Soares, que atravessava uma avenida com a marmita na mochila antes de gravar naquele mesmo endereço. Em ambos os casos, alguém sustentou um começo que parecia pequeno demais para anunciar o futuro.

Cada aula paga com material reciclado era uma aposta de Gertrude. Décadas depois, a música de Kirk Franklin transformaria aquela aposta doméstica em parte da história do gospel contemporâneo.



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