Igreja

Bispo Renato Cardoso reage à PF e alega perseguição contra a Igreja Universal

Religioso grava vídeo em mural de absolvições e afirma que investigações financeiras são inerentes à fé cristã.

Por Caio Rangel • Publicado em 24/06/2026 às 08h15
Bispo Renato Cardoso aparece em estúdio de televisão durante participação em programa, diante de um painel com temática de inteligência artificial.
Bispo Renato Cardoso durante participação em programa de televisão que abordou temas ligados à tecnologia e comportamento. (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO (SP) — Menos de 24 horas após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) estruturou sua contraofensiva de comunicação.

O bispo Renato Cardoso, genro do fundador Edir Macedo e atual líder da instituição em território nacional, divulgou um vídeo oficial em que rejeita o caráter técnico das investigações contra o Banco Digimais, enquadrando a ação da PF dentro de um padrão histórico de suposta perseguição religiosa e midiática.

O Mural das Absolvições no Templo de Salomão

Gravado no interior do Templo de Salomão, na capital paulista, o pronunciamento de Renato Cardoso teve forte apelo visual.

O bispo posicionou-se estrategicamente em frente a uma parede revestida com dezenas de capas de jornais, revistas e manchetes de décadas passadas que noticiavam escândalos e prisões envolvendo Edir Macedo — casos que, segundo a denominação, resultaram em absolvições ou arquivamentos.

Cardoso pontuou que a Universal, que completa 49 anos de fundação no próximo mês de julho, sempre foi “muito acusada, muito investigada, nunca achada em dolo”. Em tom de desafio, ele afirmou que já preparava novos espaços na parede para pendurar as “próximas notícias”.

Teologia do Martírio Contra as Provas do Banco Central

Deixando de lado as minúcias técnicas apontadas pelos relatórios do Banco Central — que acusam o Banco Digimais de manipulação sistemática de balanços, supervalorização de ativos e geração artificial de receitas —, Cardoso preferiu transferir o debate para o campo da fé.

O líder evocou o texto bíblico da Segunda Epístola a Timóteo para tentar convencer os fiéis de que o sofrimento e as investigações são marcas inerentes à caminhada cristã legítima.

Ele conclamou o rebanho a manter a calma e fechar os ouvidos para o que chamou de “notícias tendenciosas, fake news e matérias maldosas” da imprensa secular.

A manifestação da Universal escancara a tática de blindagem institucional utilizada pela igreja em momentos de asfixia jurídica: a conversão de crises financeiras de suas empresas coligadas em combustível para o engajamento espiritual dos membros.

Enquanto a diretoria do Banco Digimais (antigo Banco Renner, controlado por Macedo) emite notas formais de cooperação com a Justiça, o púlpito trabalha para manter a coesão interna.

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