Igreja

Teólogo critica “igreja com cara de shopping”: “O evangelho virou produto”

Líder da Escola Pregai afirma que a estética moderna esconde uma busca por benefícios materiais

Por Caio Rangel • Publicado em 31/03/2026 às 09h50
Júlio Ribeiro durante entrevista em podcast, falando ao microfone em estúdio.
Júlio Ribeiro durante participação em podcast. (Foto: Reprodução)

BRASIL — O teólogo Julio Ribeiro, fundador da renomada escola de ensino bíblico “Pregai”, utilizou suas plataformas digitais para realizar uma análise crítica sobre a metamorfose das instituições religiosas no Brasil.

Em um vídeo que rapidamente se tornou viral, Ribeiro questionou se a modernização dos templos — que hoje se assemelham a centros de compras — é apenas uma questão estética ou o reflexo de uma perigosa “mentalidade de shopping”.

O Fiel como Cliente

Segundo o teólogo, a lógica do mercado invadiu o altar: no shopping, tudo gira em torno da satisfação do cliente; na igreja moderna, o foco parece ter migrado da glória de Deus para a “experiência” do frequentador.

“O cristão deixou de ser um servo que dá a vida pelo Evangelho para ser um consumidor que busca benefícios materiais”, disparou Ribeiro. Para ele, quando essa inversão ocorre, o louvor deixa de edificar para apenas entreter, e a pregação abandona a profundidade bíblica para se tornar puramente motivacional.

Evangelho como Produto

Julio Ribeiro alertou para as consequências teológicas dessa mudança: quando o Evangelho é tratado como produto, ele perde sua essência de “poder de Deus para a salvação”.

O teólogo enfatizou que a Igreja nunca foi projetada para ser um lugar de conveniência, mas um espaço de discipulado, renúncia e transformação. “O Evangelho não existe para agradar o homem, existe para salvar o homem”, pontuou o líder do Pregai.

O desabafo encerrou com uma provocação direta aos fiéis, questionando se eles ainda se veem como discípulos dispostos a carregar a cruz ou se já se tornaram clientes em busca de um culto que apenas “agrade ao paladar”. A fala de Ribeiro surge em um momento de intenso debate sobre a identidade das megaigrejas e o retorno às raízes da Reforma Protestante.

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