Igreja

Legendários quebra o silêncio e responde a veto histórico da Igreja Presbiteriana

Organização afirmou respeitar a deliberação da igreja e destacou projetos de infraestrutura e apoio emocional

Por Caio Rangel • Publicado em 29/07/2026 às 09h27
Participantes do movimento Legendários reunidos ao ar livre durante evento de imersão masculina, usando camisetas laranja em área de mata
Integrantes do movimento Legendários participam de uma imersão ao ar livre durante encontro voltado ao desenvolvimento espiritual e pessoal. (Foto: Divulgação)

A organização do movimento Legendários emitiu um posicionamento oficial nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, em resposta à decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que orientou formalmente seus pastores, presbíteros, diáconos e membros a não participarem nem apoiarem as atividades do grupo.

Em nota assinada por Joshua Catalan — identificado como “Legendário número 8” e vice-presidente de Essência e Projetos Especiais —, o movimento declarou que “respeita e valoriza as diferentes denominações cristãs e suas respectivas decisões”.

Defesa do Caráter Humanitário e Alcance Global

Na manifestação, a liderança do Legendários enfatizou a abrangência de suas ações, argumentando que a iniciativa atende pessoas de diversas origens em 24 países, somando mais de 220 mil integrantes.

“A fome, a sede, a angústia e a depressão não têm religião”, pontuou o documento, que definiu o grupo como um “movimento humanitário” voltado ao fortalecimento comunitário. Para exemplificar sua atuação, a nota destacou a perfuração de poços de água no continente africano, o suporte a vítimas de desastres na Venezuela e o atendimento emocional contínuo prestado por seus voluntários.

Os Fundamentos do Veto da Igreja Presbiteriana

A resposta do grupo ocorre no desdobramento da assembleia quadrienal do Supremo Concílio da IPB, realizada em Manaus (AM), onde delegados de mais de 400 presbitérios aprovaram um parecer que declara o movimento incompatível com a doutrina reformada.

O relatório, originado no Sínodo do Tocantins, apontou que o Legendários utiliza métodos “pragmáticos, neopentecostais e experienciais”, associados a dinâmicas motivacionais corporativas, como o uso de gritos de guerra, vestuário padronizado e a identificação numérica de membros, incluindo a referência a Jesus Cristo como “Legendário 001”.

Para o conselho da IPB, tais estratégias aproximam a vivência eclesiástica de um modelo de consumo emocional, com potencial de gerar facções e divisões internas que enfraquecem a autoridade dos pastores e dos conselhos locais.

Criado na Guatemala em 2015 e introduzido no Brasil em 2017 por Balneário Camboriú (SC), o Legendários expandiu sua presença no país com respaldo de figuras públicas, tendo o “Dia do Legendário” instituído em leis municipais e estaduais.

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