A organização do movimento Legendários emitiu um posicionamento oficial nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, em resposta à decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que orientou formalmente seus pastores, presbíteros, diáconos e membros a não participarem nem apoiarem as atividades do grupo.
Em nota assinada por Joshua Catalan — identificado como “Legendário número 8” e vice-presidente de Essência e Projetos Especiais —, o movimento declarou que “respeita e valoriza as diferentes denominações cristãs e suas respectivas decisões”.
Defesa do Caráter Humanitário e Alcance Global
Na manifestação, a liderança do Legendários enfatizou a abrangência de suas ações, argumentando que a iniciativa atende pessoas de diversas origens em 24 países, somando mais de 220 mil integrantes.
“A fome, a sede, a angústia e a depressão não têm religião”, pontuou o documento, que definiu o grupo como um “movimento humanitário” voltado ao fortalecimento comunitário. Para exemplificar sua atuação, a nota destacou a perfuração de poços de água no continente africano, o suporte a vítimas de desastres na Venezuela e o atendimento emocional contínuo prestado por seus voluntários.
Os Fundamentos do Veto da Igreja Presbiteriana
A resposta do grupo ocorre no desdobramento da assembleia quadrienal do Supremo Concílio da IPB, realizada em Manaus (AM), onde delegados de mais de 400 presbitérios aprovaram um parecer que declara o movimento incompatível com a doutrina reformada.
O relatório, originado no Sínodo do Tocantins, apontou que o Legendários utiliza métodos “pragmáticos, neopentecostais e experienciais”, associados a dinâmicas motivacionais corporativas, como o uso de gritos de guerra, vestuário padronizado e a identificação numérica de membros, incluindo a referência a Jesus Cristo como “Legendário 001”.
Para o conselho da IPB, tais estratégias aproximam a vivência eclesiástica de um modelo de consumo emocional, com potencial de gerar facções e divisões internas que enfraquecem a autoridade dos pastores e dos conselhos locais.
Criado na Guatemala em 2015 e introduzido no Brasil em 2017 por Balneário Camboriú (SC), o Legendários expandiu sua presença no país com respaldo de figuras públicas, tendo o “Dia do Legendário” instituído em leis municipais e estaduais.
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