Notícias

Pastora é acusada de vender carrinhos de bebê recebidos para doação

Doadora flagrou carrinho de bebê que havia doado sendo vendido por R$ 200 na internet. Religiosa alega que reverte dinheiro em comida, mas jurista alerta para crime de estelionato.

Por Izael Nascimento • Publicado em 15/12/2025 às 08h51 • Atualizado em 15/12/2025 às 09h47
carrinhos de bebe alinhados em espaco publico utilizados como imagem ilustrativa em materia sobre doacoes
Carrinhos de bebê em imagem ilustrativa utilizada em matéria sobre doações. (Foto: Reprodução)

UBERABA (MG) — Uma polêmica envolvendo fé, caridade e suposta quebra de confiança está abalando a comunidade evangélica em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Uma pastora, cujo nome não foi divulgado para não atrapalhar as investigações, está sendo acusada de pedir doações em grupos de mães para, em seguida, comercializar os itens na internet.

O caso veio à tona após uma doadora do grupo de WhatsApp “Desapego Infantil” reconhecer o próprio carrinho de bebê — doado dias antes com a intenção de ajudar uma família pobre — sendo anunciado em um site de vendas por R$ 200.

Segundo denúncias apuradas pelo portal local JM Online, a pastora utilizava sua influência religiosa para sensibilizar os participantes do grupo, solicitando itens sob o pretexto de ajuda humanitária. A revolta se instalou quando as doadoras descobriram que a caridade, na verdade, tinha virado mercadoria.

Ao ser confrontada pelas mães no grupo, a religiosa admitiu a venda, mas apresentou uma justificativa: segundo ela, o dinheiro arrecadado com a venda dos móveis e roupas serve para comprar leite (fórmulas infantis) e cestas básicas para os necessitados.

O argumento, porém, não convenceu as vítimas. Para elas, o problema não é o destino final do dinheiro, mas a falta de transparência.

“O absurdo reside em solicitar itens sob o pretexto puro de doação, sem informar aos doadores que parte do que recebe seria, na verdade, comercializada. A omissão transforma um ato de caridade em uma transação não autorizada”, relataram participantes indignadas.

O que diz a Lei

O que parece apenas uma confusão moral pode ter consequências criminais graves. As doadoras, sentindo-se enganadas (“lesadas na boa-fé”), prometem acionar a Polícia Civil e o Ministério Público.

Segundo a advogada e professora universitária Clébia Reis, o caso serve de alerta para todo o Terceiro Setor. “Se a venda de doações é uma estratégia válida para captar recursos, esta prática deve ser explicitada de forma clara aos doadores”, afirma a jurista.

Se as denúncias avançarem, a conduta da pastora pode ser enquadrada em dois artigos do Código Penal:

  1. Apropriação Indébita (Art. 168): Pena de 1 a 4 anos de reclusão.
  2. Estelionato (Art. 171): Configurado quando se usa de meio fraudulento ou mentira para obter vantagem ilícita. A pena pode chegar a 5 anos.

Nota Editorial

O nome da religiosa e da denominação não foram divulgados pelas autoridades policiais até o fechamento desta reportagem, em respeito à Lei de Abuso de Autoridade e ao sigilo do inquérito. O Fuxico Gospel acompanha o caso e atualizará as informações assim que houver posicionamento oficial da Justiça.

Caso queira solicitar correções, atualizações ou exercer seu direito de resposta, entre em contato imediatamente com nossa redação através do e-mail oficial: contato@fuxicogospel.com.br


Tags: Pastora

Logo Fuxico Gospel

DIGITE SUA BUSCA

Este site utiliza cookies essenciais para garantir o funcionamento adequado. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.