A participação da pastora Helena Raquel no Congresso dos Gideões Missionários 2026 continua gerando desdobramentos intensos no meio cristão.
Desta vez, o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) utilizou um podcast para contestar duramente as afirmações feitas pela pastora durante sua pregação, na qual ela sugeriu que pastores estariam encobrindo pecados e crimes dentro das denominações.
A crítica à “falta de nomes”
Feliciano focou seu argumento na responsabilidade da palavra “denúncia”. Segundo o parlamentar, ao abordar temas graves em um púlpito da magnitude dos Gideões, o orador deveria apresentar provas. “Denúncia tem que ter nome e endereço. Se você conhece quem está vivendo [o problema] e não toma uma atitude, você é cúmplice”, declarou o deputado.
Para Feliciano, a fala da pastora gerou uma generalização injusta que, segundo ele, acaba por prejudicar pastores que trabalham de forma correta e que, muitas vezes, são os primeiros a acolher vítimas de abusos e injustiças.
O deputado sugeriu que a pastora deveria ter utilizado o termo “alerta” em vez de “denúncia”, para evitar que o ministério pastoral como um todo fosse colocado sob suspeita.
Reflexos no ministério
O deputado aproveitou para revelar que ele mesmo já foi alvo de questionamentos decorrentes de narrativas semelhantes.
Ele enfatizou que a Igreja, em sua essência, é um “reduto que acolhe” pessoas que chegam com problemas, e que o papel do pastor é muitas vezes distorcido por acusações genéricas de conivência. “Quantos pastores começaram a sofrer por causa disso? Eu sofri por causa disso”, desabafou.
Debate sobre a ética na pregação
O posicionamento de Marco Feliciano acende um debate sobre o limite entre a denúncia social feita no púlpito e a responsabilidade civil do pregador.
Enquanto parte do público apoia Helena Raquel pela coragem de abordar temas espinhosos, lideranças como Feliciano defendem a necessidade de cautela para não atingir a reputação de pastores que, segundo eles, não têm relação com as práticas condenáveis citadas.
O embate entre as duas lideranças reflete a polarização de visões sobre como os problemas internos das igrejas — incluindo casos de abuso e omissão — devem ser tratados perante a comunidade e a sociedade.
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