SÃO PAULO (SP) — O pastor Josué Gonçalves, reconhecido nacionalmente por seu trabalho voltado à família e à formação de líderes, fez um alerta contundente sobre a saúde emocional de pastores e sacerdotes no Brasil. Segundo ele, o crescimento dos casos de depressão no meio eclesiástico está ligado a uma combinação silenciosa de fatores como esgotamento físico, frustrações ministeriais e instabilidade financeira.
Liderança sem pausa e desgaste contínuo
Para Josué, a rotina pastoral impõe uma disponibilidade quase permanente. Líderes religiosos são acionados a qualquer hora para resolver conflitos, aconselhar famílias, lidar com crises e atender demandas emocionais que raramente cessam. O problema, segundo ele, é que esse modelo ignora um ponto essencial: o pastor também é humano.
Em sua avaliação, ainda persiste no imaginário cristão a ideia de que o líder espiritual deve ser emocionalmente inabalável. Essa expectativa irreal, afirma, empurra muitos pastores ao silêncio, impedindo que reconheçam o próprio sofrimento e busquem ajuda.
Solidão, pressão e fragilidade financeira
Outro fator destacado por Josué Gonçalves é o isolamento vivido por quem ocupa posições de liderança. A ausência de amizades genuínas, o medo de demonstrar fragilidade e a dificuldade de confiar em pessoas do próprio ambiente ministerial ampliam o risco de adoecimento emocional.
A isso se soma a questão financeira. Em muitas igrejas, especialmente nas comunidades menores, os salários são baixos e instáveis, obrigando pastores a conviverem com insegurança econômica enquanto sustentam expectativas elevadas de desempenho espiritual e administrativo. Para Josué, essa sobrecarga emocional constante é terreno fértil para quadros de ansiedade, depressão e burnout.
Cuidar de quem cuida
Diante desse cenário, o pastor defende iniciativas estruturadas de apoio, como o Programa de Desenvolvimento Pessoal (PDP), voltado ao fortalecimento emocional e psicológico de líderes cristãos. Ele ressalta que preservar a saúde do pastor não é luxo, mas uma necessidade para garantir a continuidade do ministério.
Segundo Josué, a igreja brasileira precisa abandonar a negligência histórica com a saúde mental de quem ocupa o púlpito e compreender que o chamado ministerial não imuniza ninguém contra doenças emocionais.
Um problema global no pós-pandemia
O alerta surge em um contexto mais amplo. Nos últimos anos, o avanço dos transtornos mentais entre líderes religiosos tem acompanhado a crise global de saúde emocional intensificada no período pós-pandemia. No Brasil, o fenômeno é agravado pelo crescimento de igrejas independentes e pela fragmentação das grandes denominações.
Hoje, muitos pastores acumulam funções de gestor, comunicador digital, conselheiro e líder espiritual, frequentemente sem redes institucionais de apoio. Esse cenário torna o ministério local cada vez mais solitário e vulnerável.
O posicionamento de Josué Gonçalves se alinha a um movimento internacional de humanização do clero, que busca prevenir o abandono ministerial, o colapso emocional e até o suicídio, por meio de acompanhamento terapêutico, formação emocional e profissionalização da liderança cristã.
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