BRASIL — O apóstolo Mario Alberto Nuntius, figura central na expansão da CEMA (Chaplain Emergency Management Agency), negou em entrevista exclusiva ao O Fuxico Gospel qualquer cargo administrativo na organização.
No entanto, evidências em vídeo e postagens oficiais da própria CEMA em 2026 apresentam o líder religioso como o “Representante da Capelania CEMA BRASIL / USA”.
“De jeito nenhum”: Nuntius diz não temer prisão
Ao ser questionado sobre os desdobramentos da prisão federal de Mario César Santos Júnior e se temia o mesmo destino, o apóstolo foi categórico:
“De jeito nenhum. Porque seria? Eu não sou representante da Capelania. Sou um dos mais de 3.000 que fizeram um curso”.
Nuntius afirmou que sua relação com a entidade se resume a dois cursos de oito horas.
Apesar da negativa, a atuação pública de Nuntius conta uma história diferente.
Recentemente, em entrevista ao programa Sempre Melhor, da Rede Mais Família, o apóstolo apareceu fardado com indumentária completa contendo selos da CEMA e da FEMA, além de portar um crachá de identificação de autoridade das organizações.
Veja o trecho da entrevista
CEMA apresentava apóstolo como representante internacional
O perfil oficial da CEMA nas redes sociais reforça a contradição. Em uma publicação de corte da entrevista televisiva, a legenda exalta Nuntius com os títulos de “Dr., Rev. e Apóstolo”, definindo-o explicitamente como o Representante da Capelania CEMA BRASIL / USA.
O texto afirma ainda que ele já ajudou mais de 30 mil pastores em vários países e realiza conferências de alto nível nos Estados Unidos.
O confronto entre as falas de Nuntius e o material promocional da CEMA levanta novas dúvidas sobre a engrenagem de legitimidade da agência.
Enquanto ele afirma ao portal que “nunca foi diretor de nada”, a organização utilizava sua imagem para vender o projeto a conselhos de pastores e igrejas no Brasil, sustentando uma aura de autoridade diplomática e reconhecimento pela ONU.

O uso de símbolos da FEMA e a defesa da “boa fé”
Sobre o uso ostensivo de símbolos do governo americano, Nuntius reiterou que não via fraude no sistema.
“Todos que fizeram o curso receberam uma credencial. Nela tinha um ID que nos acessamos o site oficial da FEMA e fazemos cursos gratuitos por lá”, explicou.
Ele defende que a qualidade do ensino e o acesso ao portal federal eram provas suficientes de legitimidade, negando ter presenciado a venda de diplomas ou carteiras.
A investigação do portal O Fuxico Gospel segue monitorando os desdobramentos jurídicos do caso.
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