Pastor

“Não é um bezerro de ouro”, defende pastor após abençoar estátua gigante de Trump

Inauguração de monumento gigante no Trump National Doral reacende discussões sobre o uso de figuras políticas como símbolos religiosos

Por Caio Rangel • Publicado em 11/05/2026 às 08h39
Pastor Mark Burns ao lado de estátua dourada de Donald Trump segurando Bíblia em área externa.
Pastor Mark Burns posa ao lado de estátua dourada de Donald Trump segurando uma Bíblia. (Foto: Reprodução)

MIAMI (FL) — O Trump National Doral, em Miami, foi palco de uma cerimônia que borrou definitivamente as fronteiras entre a política e a religião na última quarta-feira (06).

Liderado pelo grupo “Pastors for Trump”, o evento marcou a inauguração do “Don Colossus”, uma estátua dourada de aproximadamente 6,7 metros de altura em homenagem ao ex-presidente e atual candidato. O monumento foi recebido com orações, discursos patrióticos e uma polêmica defesa teológica por parte de seus organizadores.

“Isto não é um Bezerro de Ouro”

O pastor Mark Burns, uma das vozes mais próximas de Trump no meio evangélico, sentiu a necessidade de responder às críticas imediatas que comparavam a estátua ao ídolo bíblico mencionado no livro de Êxodo.

“Quero deixar claro: isto não é um bezerro de ouro. Esta estátua é uma celebração da vida, um símbolo de resiliência e força”, declarou Burns. A justificativa, no entanto, não impediu que teólogos e fiéis questionassem a necessidade de tal explicação, sugerindo que a estética da obra evoca, inevitavelmente, o conceito de idolatria.

Conflito Doutrinário: Católicos e Protestantes

O episódio gerou uma reação inesperada de setores da Igreja Católica, que apontaram a incoerência de grupos protestantes — historicamente críticos ao uso de imagens de santos — ao reverenciarem um monumento político revestido de ouro.

Enquanto católicos defendem a veneração de imagens como representações de figuras sagradas, muitos protestantes de linha reformada veem no “Don Colossus” uma violação do mandamento contra a fabricação de ídolos, agravada pelo tom messiânico conferido a um líder civil.

A inauguração do monumento reflete uma tendência de parte do evangelicalismo americano em transformar figuras políticas em “salvadores modernos”. O debate agora transcende o campo eleitoral e atinge o cerne da fé: a pergunta desconfortável é se o patriotismo e o poder tornaram-se os novos altares da cristandade contemporânea.

Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@ofuxicogospel.com.br

 



Logo Fuxico Gospel

DIGITE SUA BUSCA

Este site utiliza cookies essenciais para garantir o funcionamento adequado. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.