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Entenda por que o deputado pastor Henrique vieira participou da festa de Iemanjá na Bahia

Parlamentar do PSOL-RJ critica "fé que mata" e questiona por que a imagem de um Jesus negro ainda incomoda setores das igrejas evangélicas brasileiras

Por Caio Rangel • Publicado em 05/02/2026 às 09h00 • Atualizado em 05/02/2026 às 11h05
Henrique Vieira segura uma rosa branca e a lança ao mar durante ato simbólico em embarcação.
Henrique Vieira lança uma rosa branca ao mar em gesto simbólico. (Foto: Reprodução)

SALVADOR (BA) — O deputado federal e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) sinaliza um novo embate com as alas mais tradicionais do segmento evangélico após sua participação na tradicional Festa de Iemanjá, celebrada na última segunda-feira (2).

O parlamentar afirma que sua presença no evento é um gesto de discipulado cristão e um combate direto ao que define como o racismo estrutural embutido na teologia.

“O evangelho ensina o amor”

Henrique Vieira acredita que o verdadeiro escândalo não reside na convivência inter-religiosa, mas na hostilidade enfrentada pelas religiões de matriz africana no Brasil.

O pastor afirma que a violência e o preconceito são muitas vezes autorizados por pregações dentro das próprias igrejas. “Por que a imagem de um jesus negro incomoda?”, questiona o parlamentar ao refletir sobre a naturalização da branquitude no sagrado cristão.

O deputado disse que sua disposição na festa não era de mera tolerância, mas de escuta, aprendizado e respeito profundo.

Vieira afirma que esteve no Rio Vermelho como um seguidor de Jesus, de coração aberto, e destacou que o silêncio diante da intolerância religiosa não é uma opção para quem busca construir pontes em vez de muros. “Não me pauto mais pelo julgamento”, desabafa o pastor.

Ao abordar as dinâmicas de poder no cenário religioso, Henrique Vieira destacou que há uma lógica racista que define origens negras como “inimigas”.

Ele escreve que essa perspectiva modela pensamentos e crenças, impedindo que crianças negras se vejam representadas como anjos ou como o próprio Cristo em peças teatrais eclesiais. O pastor disse que sua fé busca o amor, contrastando-a com uma “fé que mata” através da exclusão.

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