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Pastor Márcio Poncio é preso pela Polícia Federal na Barra da Tijuca

Fundador da Igreja da Nuvem foi detido nesta quinta-feira (2) em investigação que apura ramificações da Máfia do Cigarro e do jogo do bicho

Por Caio Rangel • Publicado em 02/07/2026 às 08h49
Pastor Márcio Poncio posa para fotografia usando camisa listrada diante de um painel com estampa de folhas.
Pastor Márcio Poncio em fotografia utilizada para ilustrar reportagem. (Foto: Reprodução)

RIO DE JANEIRO (RJ) — O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro.

A detenção ocorreu em umflat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital, e integra o cumprimento dos mandados da 5ª fase da Operação Unha e Carne.

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu ordens de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar — ambos já sob custódia do sistema penitenciário.

Ramificações com a Máfia do Cigarro e o Poder Público

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam para o envolvimento de Márcio Poncio — fundador da Igreja da Nuvem e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) — com redes de lavagem de dinheiro vinculadas à chamada “Máfia do Cigarro”, estrutura que tem Adilsinho como principal liderança.

A atual etapa da operação foca no aprofundamento de indícios de transações financeiras ilícitas realizadas pela cúpula do jogo do bicho e suas conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.

A decisão de Moraes determinou ainda o sequestro de ativos financeiros e bens móveis até o limite de R$ 22 milhões.

Origem em Planilhas de Contabilidade e Decisão do STF

A quinta fase da Unha e Carne baseia-se em documentos contábeis apreendidos originalmente na Operação Fumus, em junho de 2021, que apurava o monopólio da distribuição de cigarros na Região Metropolitana do Rio.

Planilhas encontradas pelos agentes indicavam repasses periódicos de valores, doações eleitorais sem registro oficial e o pagamento de mesadas a pelo menos 20 agentes políticos do estado.

A ofensiva institucional está inserida no contexto da ADPF 635 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), conhecida como a “ADPF das Favelas”, que comanda a atuação da PF na desarticulação de grupos criminosos estruturados no Rio de Janeiro.

A prisão de Poncio e a determinação de transferência do ex-deputado Rodrigo Bacellar para um presídio de segurança máxima federal acentuam as discussões sobre o financiamento de campanhas e a integridade de quadros corporativos e eclesiásticos no estado.

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