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Pastor petista diz que sátira no Carnaval é cultural e não reflete o governo Lula

Coordenador do núcleo evangélico do PT afirma que ala polêmica em escola de samba não tem ligação com o Planalto e não afeta o eleitor cristão

Por Caio Rangel • Publicado em 19/02/2026 às 10h56
Pastor Oliver Costa em ambiente interno, usando blazer escuro, com a mão próxima ao rosto, em expressão reflexiva durante entrevista ou gravação.
Pastor Oliver Costa durante participação em entrevista.

SÃO PAULO (SP) — O pastor batista Oliver Costa Goiano, responsável pela articulação do segmento evangélico no Partido dos Trabalhadores, tentou reduzir os impactos da controvérsia envolvendo a ala intitulada “neoconservadores em conserva”, apresentada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói.

Em entrevista ao UOL, o líder religioso avaliou que a fantasia extrapolou limites simbólicos — inclusive para sua própria família —, mas sustentou que o episódio não partiu do governo federal nem comprometerá o desempenho eleitoral do partido. Segundo ele, a narrativa de associação direta ao Planalto é uma construção política sem base institucional.

Carnaval fora do radar evangélico

Goiano argumenta que o público evangélico, em sua maioria, não pauta decisões eleitorais a partir do que ocorre na Marquês de Sapucaí. Para o pastor, há um distanciamento histórico e cultural entre fiéis e o Carnaval, motivado por valores que reprovam nudez, consumo excessivo de álcool e a lógica da festa.

Na avaliação do coordenador, a leitura feita pela escola de samba sobre “família tradicional” expressa um recorte artístico e não representa diretrizes partidárias ou governamentais.

Crítica ao uso político da fé

O pastor também direcionou críticas ao ambiente religioso, defendendo que a igreja volte o olhar para práticas internas.

Ele apontou incoerência no silêncio diante de manifestações político-partidárias em eventos cristãos, citando a Marcha para Jesus como exemplo de espaços onde, segundo ele, a fé tem sido capturada por discursos ideológicos.

Goiano questionou a naturalização de símbolos e gestos associados à violência em contextos de culto, defendendo que a responsabilidade ética começa “dentro de casa”.

“Agora, o que me causa espécie e espanto é quando a igreja evangélica, ou parte dela, fica em silêncio diante de abusos que ocorreram na Marcha para Jesus. Nós vimos Marchas para Jesus nos últimos anos em que as pessoas fizeram arminha. Nós estamos vendo púlpitos de igrejas sendo sequestrados pelo bolsonarismo, pela extrema-direita. Nós estamos vendo pastores que vão ao púlpito todo domingo para condenar a esquerda” disse.

Contra a instrumentalização religiosa

À frente do núcleo evangélico petista, o pastor afirma que sua missão é conter o que classifica como “pânico moral” produzido pela mistura entre política e espiritualidade.

Na sua leitura, setores da direita confundem disputas humanas com autoridade divina, criando a percepção de perseguição religiosa. O pastor reforçou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não endossaria iniciativas que ridicularizassem valores familiares, buscando, assim, afastar o governo de acusações de hostilidade à fé cristã.

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