BELO HORIZONTE (MG) — A influenciadora Babi Mendes causou uma divisão de opiniões nas plataformas digitais ao analisar o início da caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira rumo a Brasília. Em vídeo publicado nesta terça-feira (20), Babi traçou um paralelo direto entre o gesto do parlamentar e a histórica Marcha sobre Washington de Martin Luther King Jr.
Coincidência de datas e simbolismo
Babi sinaliza que o início da jornada de Nikolas, em 19 de janeiro de 2026, coincidiu com o feriado dedicado a Martin Luther King nos Estados Unidos. A influenciadora afirma que a história está convocando o povo brasileiro e que o deputado cria um “símbolo que anda”, incomodando sistemas acomodados através da coragem moral e da presença física.
O argumento central de Mendes é que ambos os movimentos nasceram da certeza de que a injustiça não poderia ser normalizada. Ela sinaliza que Nikolas não vende milagres políticos, mas expõe o “cansaço moral” de uma nação. “Martin Luther King venceu porque enfrentou um sistema injusto sem se tornar aquilo que combatia”, disse a influenciadora ao defender a coerência do deputado.
Reação e críticas
O paralelo gerou forte repercussão. Enquanto grupos conservadores sinalizam apoio à visão de que gestos simbólicos despertam a nação, críticos afirmam que a comparação é inadequada e desproporcional. Opositores escrevem que os contextos históricos e as pautas de luta racial de King são distintos das motivações políticas atuais de Ferreira, classificando a análise de Babi como um erro de escala histórica.
O uso da figura de Martin Luther King para legitimar movimentos de direita no Brasil em 2026 reflete uma disputa narrativa global pela “herança dos símbolos de liberdade”. O conservadorismo brasileiro busca se dissociar de rótulos autoritários, adotando a retórica da desobediência civil não-violenta e dos direitos civis clássicos para questionar decisões do Poder Judiciário e do Executivo. Ao alinhar a imagem de Nikolas Ferreira a um ícone da democracia ocidental como King, a direita tenta construir uma ponte de legitimidade perante observadores internacionais, apresentando-se como uma minoria política sob pressão sistêmica. Esse movimento estratégico visa atrair a classe média e setores moderados, utilizando a estética da “marcha” e do “sacrifício físico” para contrastar com a frieza dos processos burocráticos e tribunais em Brasília.
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