Política

Damares anuncia processo contra escola de samba por sátira à fé evangélica no Carnaval

Parlamentar acusa desfile de ultrapassar a liberdade artística e anuncia medida judicial imediata

Por Caio Rangel • Publicado em 16/02/2026 às 15h27
Montagem com a senadora Damares Alves em ambiente institucional e, ao lado, alegoria de desfile de Carnaval com fantasia colorida em sambódromo.
Damares Alves reage a alegoria apresentada em desfile de Carnaval e questiona limites da liberdade artística.

BRASÍLIA (DF) — A senadora Damares Alves anunciou que pretende acionar a Justiça após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.

Para a parlamentar, a apresentação extrapolou os limites da manifestação artística ao utilizar elementos que, em sua avaliação, expuseram a fé evangélica de forma depreciativa em um contexto de exaltação política ao presidente Lula.

Acusação de desrespeito religioso

Em pronunciamento nas redes sociais nesta segunda-feira (16), Damares afirmou que o conteúdo apresentado na Marquês de Sapucaí não pode ser tratado como mera sátira cultural.

Segundo ela, a ala em questão promoveu a ridicularização de símbolos e identidades cristãs, configurando, em sua leitura, violação ao direito constitucional de liberdade religiosa.

A senadora informou que prepara uma ação judicial contra a agremiação e classificou o episódio como um ataque direto a milhões de brasileiros que professam a fé evangélica. O tom adotado indica urgência: a parlamentar deixou claro que não pretende aguardar desdobramentos administrativos ou pedidos de retratação.

Discurso de perseguição e cobrança pública

Damares Alves também voltou a sustentar a narrativa de que evangélicos vêm sendo alvos recorrentes de hostilidade no espaço público. Em sua avaliação, episódios semelhantes envolvendo outras tradições religiosas teriam provocado reação imediata de autoridades e da opinião pública, o que, segundo ela, não ocorreu neste caso.

A senadora direcionou críticas a lideranças religiosas e políticas que, em sua visão, têm permanecido em silêncio diante do ocorrido. Para Damares, aceitar o episódio sem reação equivaleria a legitimar o que definiu como constrangimento coletivo transmitido em rede nacional.

Endurecimento do embate político

Além da via judicial, a parlamentar indicou que a resposta também se dará no campo político. Damares afirmou que a paciência do segmento evangélico no Congresso chegou ao limite e que episódios que misturam sátira religiosa e posicionamento político passarão a ser enfrentados com maior rigor institucional.

O posicionamento reforça o clima de polarização que envolve Carnaval, religião e política no Brasil, evidenciando como manifestações culturais continuam a funcionar como gatilho para disputas jurídicas e ideológicas entre diferentes grupos sociais.



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