BRASÍLIA (DF) — A senadora Damares Alves anunciou que pretende acionar a Justiça após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.
Para a parlamentar, a apresentação extrapolou os limites da manifestação artística ao utilizar elementos que, em sua avaliação, expuseram a fé evangélica de forma depreciativa em um contexto de exaltação política ao presidente Lula.
Acusação de desrespeito religioso
Em pronunciamento nas redes sociais nesta segunda-feira (16), Damares afirmou que o conteúdo apresentado na Marquês de Sapucaí não pode ser tratado como mera sátira cultural.
Segundo ela, a ala em questão promoveu a ridicularização de símbolos e identidades cristãs, configurando, em sua leitura, violação ao direito constitucional de liberdade religiosa.
A senadora informou que prepara uma ação judicial contra a agremiação e classificou o episódio como um ataque direto a milhões de brasileiros que professam a fé evangélica. O tom adotado indica urgência: a parlamentar deixou claro que não pretende aguardar desdobramentos administrativos ou pedidos de retratação.
Discurso de perseguição e cobrança pública
Damares Alves também voltou a sustentar a narrativa de que evangélicos vêm sendo alvos recorrentes de hostilidade no espaço público. Em sua avaliação, episódios semelhantes envolvendo outras tradições religiosas teriam provocado reação imediata de autoridades e da opinião pública, o que, segundo ela, não ocorreu neste caso.
A senadora direcionou críticas a lideranças religiosas e políticas que, em sua visão, têm permanecido em silêncio diante do ocorrido. Para Damares, aceitar o episódio sem reação equivaleria a legitimar o que definiu como constrangimento coletivo transmitido em rede nacional.
Endurecimento do embate político
Além da via judicial, a parlamentar indicou que a resposta também se dará no campo político. Damares afirmou que a paciência do segmento evangélico no Congresso chegou ao limite e que episódios que misturam sátira religiosa e posicionamento político passarão a ser enfrentados com maior rigor institucional.
O posicionamento reforça o clima de polarização que envolve Carnaval, religião e política no Brasil, evidenciando como manifestações culturais continuam a funcionar como gatilho para disputas jurídicas e ideológicas entre diferentes grupos sociais.