Política

Deputado denuncia arrogância de Bolsonaro em só aceitar os filhos como sucessores

Otoni de Paula detonou o bolsonarismo, chamando o movimento de "prisão" e "culto". "Ao invés de Jesus, você diz Bolsonaro", disparou

Por Caio Rangel • Publicado em 24/02/2026 às 08h50 • Atualizado em 24/02/2026 às 09h45
Otoni de Paula discursa em evento religioso, segurando microfone.
Otoni de Paula durante discurso em evento cristão.

BRASÍLIA (DF) — O deputado federal Otoni de Paula evidencia o que pode ser a maior ruptura interna no campo conservador desde a eleição de 2022.

Em um discurso carregado de metáforas religiosas e críticas institucionais, o parlamentar fluminense afirmou que o bolsonarismo deixou de ser um movimento político para se tornar uma “prisão” que exige adoração messiânica e submissão total à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Você grita mito ao invés de Jesus”

Otoni afirma que a estrutura bolsonarista opera sob uma lógica teocrática, onde a divergência é punida com o rótulo de traição.

O deputado disse que o movimento exige uma “lealdade cega” e uma devoção que substitui princípios cristãos pela figura do líder. “Parece até um culto. Ao invés de aleluia, você grita mito; ao invés de Jesus, você diz Bolsonaro”, comentou o parlamentar ao descrever a dinâmica interna do grupo.

Para Otoni, o grande entrave para a direita é a “maldita arrogância” de Jair Bolsonaro e sua prole. O parlamentar afirma que o ex-presidente trata a República como uma monarquia, onde apenas seus filhos são vistos como sucessores legítimos.

Ele disse que o bolsonarismo anula a identidade do político: “Você não existiria se não fosse Bolsonaro, você não tem voto”, descreveu Otoni sobre a mentalidade que domina o núcleo duro em Brasília.

“Vai dar Lula de novo”

Otoni de Paula afirma que sua postura agora é de um conservador independente e faz um aviso pragmático para as próximas eleições. Ele alerta que, se a direita não aprender a dialogar e construir consensos além da bolha de adoradores, o resultado será a manutenção da esquerda no poder. “Estamos em uma democracia, não em uma teocracia bolsonarista. Se não combinar com o povo, vai dar Lula de novo”, concluiu o deputado.

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