Política

“Deus já confirmou”: profecia de Valdemiro Santiago falha nas urnas e gera críticas na web

Declarações do religioso em apoio a candidato ao governo maranhense derrotado viram alvo de questionamentos na internet

Por Caio Rangel • Publicado em 06/10/2026 às 10h34
Apóstolo Valdemiro Santiago segura um microfone enquanto ministra, segurando um pequeno cálice de plástico na outra mão durante um culto.
Apóstolo Valdemiro Santiago durante uma ministração em culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. (Foto: Reprodução)

SÃO LUÍS (MA) — O encerramento do primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4), não apenas reconfigurou o mapa político de diversos estados, mas também trouxe à tona debates sobre o uso de discursos proféticos e alinhamentos político-partidários no meio eclesiástico.

Internautas resgataram nas redes sociais um registro em vídeo no qual o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), profetizava a vitória do político Orleans Brandão ao governo do Maranhão.

A Suposta profecia de junho e o resultado definitivo nas urnas

A declaração repercutida na internet ocorreu durante um culto celebrado no mês de junho, período em que Orleans Brandão atuava como pré-candidato ao Executivo estadual.

Nas imagens que voltaram a circular com força após o pleito, o líder religioso menciona diretamente o nome do postulante e afirma com ênfase que a vitória estaria garantida por decreto divino.

Contudo, o desfecho apurado pelas urnas no último domingo distou amplamente da previsão proferida no altar. Orleans Brandão acabou derrotado por Eduardo Braide, que garantiu a vitória ainda no primeiro turno com uma ampla margem de vantagem, invalidando a projeção de triunfo anunciada meses antes pela liderança religiosa.

Críticas ao uso da fé em campanhas e reflexão sobre o fenômeno

Com a confirmação do revés eleitoral, usuários das redes sociais intensificaram as críticas contra Valdemiro Santiago, acusando o religioso de utilizar a autoridade espiritual e o nome de Deus para chancela eleitoral e apoio político partidário.

A polêmica reabre discussões recorrentes sobre os limites da atuação de pastores e líderes evangélicos durante os períodos de disputa eleitoral.

Especialistas e observadores do cenário político apontam que o episódio não se restringe à Igreja Mundial do Poder de Deus, refletindo uma prática recorrente em variadas denominações no Brasil.

Com frequência, figuras de proeminência eclesiástica utilizam púlpitos para abençoar, conferir respaldo moral e decretar vitórias a candidatos alinhados às suas preferências, gerando desgastes públicos quando os resultados das urnas divergem das promessas divinizadas.

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