BRASÍLIA (DF) — Em um movimento estratégico visando as próximas eleições presidenciais, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou, nesta segunda-feira (9), uma carta aberta endereçada aos evangélicos brasileiros.
O documento, redigido durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos da legenda, propõe o fortalecimento do diálogo com o segmento religioso e contesta narrativas que associam as gestões petistas a um suposto antagonismo contra a liberdade de culto.
“Estado laico, não antirreligioso”
O manifesto centraliza a defesa de um Estado laico que, segundo a legenda, não significa neutralidade hostil ou antirreligiosidade, mas sim o respeito constitucional a todas as crenças.
O PT nega categoricamente ter adotado medidas restritivas contra instituições religiosas em governos anteriores, argumentando que sua trajetória é marcada pela garantia da autonomia e da liberdade de manifestação da fé.
Para a legenda, a propagação de discursos sobre “perseguição religiosa” é fruto de desinformação. O texto destaca que marcos importantes, como a sanção de leis de livre culto e a instituição do Dia Nacional da Marcha para Jesus, ocorreram sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando o reconhecimento da importância das igrejas no tecido social brasileiro.
Crítica à “manipulação política da fé”
Um dos trechos mais enfáticos do documento dedica-se ao combate do que o partido chama de “uso eleitoral da religião”. Sem citar nomes, o PT critica o uso de púlpitos e símbolos sagrados para promover interesses partidários, classificando essa prática como uma ameaça tanto ao debate democrático quanto à própria missão espiritual das denominações.
A legenda condena a transformação da fé em ferramenta de manipulação e apela pela verdade no compartilhamento de informações nas redes sociais.
Foco no social e em 2026
Além da agenda política, o documento lista uma série de políticas públicas que, segundo o partido, atendem às demandas das comunidades evangélicas presentes nas periferias, como o fortalecimento do SUS, o Bolsa Família e ações de assistência social.
A carta sinaliza uma ofensiva clara na tentativa de reduzir a resistência histórica enfrentada pelo PT junto ao eleitorado evangélico, um dos segmentos mais influentes do país.
Ao se posicionar favorável à continuidade do projeto democrático liderado pelo presidente Lula, o grupo evangélico do PT convida lideranças e fiéis a participarem do debate público, reafirmando que “a política está a serviço da vida”.
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