Política

Flávio Bolsonaro repete rito do pai em busca do voto evangélico

Pré-candidato ao Planalto foi recebido pelo pastor José Wellington em gesto que simboliza a manutenção do projeto político-religioso

Por Caio Rangel • Publicado em 08/04/2026 às 08h49
Pastor José Wellington e Flávio Bolsonaro durante evento público, ao lado de púlpito
José Wellington e Flávio Bolsonaro em evento público. (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO (SP) — O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, protagonizou um momento de forte carga simbólica nesta segunda-feira (06) na capital paulista.

Durante a tradicional reunião de obreiros da Assembleia de Deus Ministério do Belém, Flávio foi recebido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, líder histórico da denominação, reforçando a simbiose entre o bolsonarismo e as cúpulas das maiores convenções evangélicas do país.

A participação de Flávio não foi apenas protocolar; o parlamentar subiu ao altar, participou de um momento de intercessão e recebeu a bênção apostólica das lideranças presentes.

O gesto é lido por analistas políticos como uma tentativa de consolidar a “herança” do eleitorado evangélico conquistada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo a igreja como o principal alicerce de sua futura campanha presidencial em 2026.

Resistência e o Movimento “Igreja Sem Política”

No entanto, a mistura entre liturgia e palanque eleitoral volta a enfrentar resistência interna no segmento. O pastor Daniel Batista, fundador do movimento Igreja Sem Política, tem intensificado as críticas a esse modelo, que ele classifica como a transformação de igrejas em “currais eleitorais”.

Segundo o movimento, a instrumentalização da fé e a demonização de campos ideológicos opostos têm causado divisões irreversíveis nas congregações e afastado fiéis que buscam espiritualidade, não diretrizes partidárias.

O cenário para 2026 desenha-se sob a sombra de uma polarização que ainda não cicatrizou. Enquanto lideranças conservadoras apostam na força do “colégio eleitoral gospel”, vozes dissidentes alertam para o risco da perseguição institucional contra membros que não seguem a cartilha política do púlpito.

A visita ao Belenzinho é apenas o primeiro capítulo de uma jornada onde a fé será, mais uma vez, o centro da disputa pelo poder em Brasília.

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