Política

“Homem roçando em mim?”, Dispara Isidório ao mandar carona sentar de costas

Parlamentar gravou imagens pilotando veículo sem capacete e com um homem na garupa de costas para evitar "aparência do mal"

Por Caio Rangel • Publicado em 23/06/2026 às 08h38 • Atualizado em 23/06/2026 às 08h39
Sargento Isidório aparece em uma motocicleta ao lado de um jovem durante deslocamento noturno em uma avenida iluminada da cidade.
Sargento Isidório posa para foto durante trajeto de motocicleta ao lado de um jovem em área urbana iluminada. (Foto: Reprodução)

SALVADOR (BA) — O deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) voltou a figurar no centro de uma ruidosa polêmica que mistura infração às leis de trânsito e declarações de teor preconceituoso.

Em vídeo publicado em suas redes sociais no último sábado (20), o parlamentar — que se autodenomina “ex-gay” — filmou-se pilotando uma motocicleta sem o uso do capacete, o que configura uma infração gravíssima segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), enquanto impunha uma condição degradante para transportar um homem na garupa.

“De Costas”: A Manobra para Evitar Contato Físico

Nas imagens, que registram um trajeto de centenas de metros em via pública, Isidório nega expressamente a carona da forma tradicional ao cidadão, exigindo que o homem viaje sentado de costas para ele.

O deputado justificou a dinâmica bizarra utilizando jargões religiosos e ataques à comunidade LGBTQIA+. “Assim não. Você já viu ex-gay dar… vai procurar um jegue, rapaz. Vou botar um homem roçando em mim? É de costas, meu filho. A Bíblia diz que é para fugir da aparência do mal”, disparou o político.

A Pauta do Orgulho Heterossexual no Congresso

O comportamento cênico do deputado reflete a espinha dorsal de sua atuação legislativa em Brasília. Isidório é o autor do projeto de lei que visa instituir o Dia Nacional do Orgulho Hétero, uma cópia da matéria que ele próprio conseguiu aprovar anos atrás quando exercia mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

O parlamentar defende publicamente que a população heterossexual corre o risco de ser marginalizada: “Se nada for feito, muito em breve todos terão vergonha de manifestar a natureza de Deus”, argumenta.

Enquanto críticos exigem que as autoridades de trânsito apliquem as penalidades cabíveis de multa e suspensão da carteira, a militância do deputado absorve o conteúdo como uma peça de humor e defesa de valores tradicionais.



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