Política

O “esquema” por trás do afastamento de Sandra Alves da Câmara

Licença de 31 dias ocorre em meio a votações decisivas; suplente condenado por antissemitismo assume cadeira e analistas veem movimentação política estratégica.

Por Izael Nascimento • Publicado em 19/11/2025 às 15h55
Pastora Sandra Alves - @Reprodução
Pastora Sandra Alves - @Reprodução

O afastamento temporário da vereadora Pastora Sandra Alves (União Brasil), que deixou sua cadeira por 31 dias alegando “interesses particulares”, repercutiu entre apoiadores, lideranças evangélicas e analistas políticos.

A licença, comunicada oficialmente pela Câmara Municipal na segunda-feira (17), abriu espaço para o retorno do suplente Adilson Amadeu, ex-vereador com duas condenações por antissemitismo e recentemente exonerado de um cargo de confiança na Prefeitura de São Paulo.

A assessoria da Pastora Sandra informou ao O Fuxico Gospel que ela deve publicar uma nota nas redes sociais explicando o motivo da licença, mas até esta quarta-feira (19), não havia detalhamento público. A ausência de justificativa objetiva alimentou especulações, especialmente pelo momento em que ocorre o afastamento.

Um afastamento em semana decisiva

A licença coincide com um dos períodos mais sensíveis do calendário legislativo: as votações do orçamento de 2026 e as articulações para a escolha da nova Mesa Diretora, que comandará a Câmara no próximo ano. Ambas as decisões possuem impacto direto sobre a gestão municipal e sobre a distribuição de poder interno entre os blocos partidários.

Segundo especialistas consultados pela reportagem, afastamentos às vésperas de votações estratégicas são raros. Isso porque cada voto pode alterar negociações, composição de blocos e acordos de liderança.

O cientista político João Meirelles analisa que a movimentação gera sinais confusos:
“Quando um parlamentar se licencia exatamente no período em que a Casa se prepara para duas decisões cruciais, isso naturalmente levanta questionamentos. O suplente pode alterar o equilíbrio interno. É um movimento que produz efeitos reais, mesmo quando o afastamento é legal.”

Quem é o suplente que assume a vaga

Com a licença de Sandra Alves, assume o mandato por 31 dias o suplente Adilson Amadeu (União Brasil), político veterano e figura conhecida nos bastidores da Câmara. Ele não conseguiu se reeleger em 2024, mas retornou ao Legislativo com a vaga temporária.

Amadeu também havia sido nomeado em outubro para um cargo na Secretaria Especial de Relações Institucionais da Prefeitura, mas deixou a função menos de um mês depois. O retorno ao Legislativo ocorre, portanto, no exato momento em que votações estratégicas avançam.

O suplente registra duas condenações por antissemitismo, ambas proferidas pela Justiça paulista. Especialistas em direito eleitoral lembram que, apesar das condenações, ele continua elegível para assumir como suplente, uma vez que as penas aplicadas não incluíram suspensão de direitos políticos.

Manobra política? Especialistas explicam

Para analistas ouvidos pelo O Fuxico Gospel, o ponto central que acendeu o alerta não é a motivação pessoal da pastora — ainda desconhecida —, mas o impacto político de sua ausência.

A cientista política Paula Corrêa explica:
“Quando um vereador se afasta, quem assume é o suplente imediato. Isso é normal. O que torna o caso particular é que o suplente pertence ao mesmo grupo que disputa a composição da Mesa Diretora. Ele também representa um bloco ligado ao atual comando político da Casa. Nesse contexto, a licença pode alterar correlações de força.”

Outro ponto destacado por analistas é que Adilson Amadeu foi indicado ao cargo na Prefeitura pelo deputado federal licenciado Alexandre Leite, filho do vereador Milton Leite, que lidera um dos grupos políticos mais influentes do Legislativo paulistano.

Para o pesquisador Felipe Andrade, o timing produz efeitos objetivos:
“O suplente chega com poder de voto exatamente na semana em que as negociações para a Mesa Diretora se intensificam. Mesmo sem diálogo direto com a vereadora, a licença muda a matemática interna.”

Seguidores da vereadora aguardam sua manifestação pública. Nas redes, apoiadores têm pedido esclarecimentos e desejado pronta recuperação, suspeitando de possíveis motivos de saúde — informação que a assessoria não confirmou.

Entre lideranças evangélicas, a movimentação também chamou atenção. Sandra Alves representa uma base eleitoral que costuma participar ativamente de pautas morais, sociais e de proteção de famílias vulneráveis. Sua ausência em votações de grande impacto é vista como incomum para o grupo.

O que esperar das próximas semanas

Com a cadeira ocupada por Amadeu até 15 de dezembro, ele participará das votações mais importantes do ano. Caso a vereadora apresente justificativa pública nos próximos dias, o cenário político pode ganhar novos contornos.

Por enquanto, a principal pergunta feita por analistas permanece sem resposta: por que a licença ocorreu justamente agora?



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