RIO DE JANEIRO (RJ) — Em meio ao rescaldo das Eleições 2026, o deputado federal não reeleito Otoni de Paula (PSD-RJ) abriu o coração em uma entrevista reveladora sobre os pesados custos pessoais e emocionais decorrentes de seu rompimento político com o bolsonarismo.
Afastado da base tradicional que o elegeu, o parlamentar e pastor relatou o profundo impacto da polarização em sua própria família, culminando em um racha com seu irmão, o fisioterapeuta Renato de Paula, e no distanciamento de fiéis de sua comunidade religiosa.
O racha com o irmão, a tristeza da mãe e a perda de apoio na igreja
Durante a sabatina, Otoni descreveu com franqueza a dor de ver laços familiares estremecidos por divergências político-partidárias, mencionando especificamente a situação envolvendo seu irmão e sua mãe.
“Eu perdi meu irmão, hoje é um adversário político que eu tenho. A minha mãe deve ter votado em mim porque eu sou filho, mas você vê a tristeza dela, não porque eu me corrompi, mas porque eu falo mal do ídolo dela”, desabafou o deputado, referindo-se à idolatria em torno da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além do desgaste em casa, o parlamentar confessou que o preço político de suas escolhas respingou fortemente em sua trajetória eclesiástica.
Otoni revelou ter perdido o respaldo de uma parcela expressiva dos frequentadores de sua igreja, pessoas com quem mantinha laços de profundo pastoreio e convivência pastoral ao longo de anos.
“Foi a única vez nesse processo todo que eu chorei, nem chorei quando perdi o mandato. Perdi 60% dos membros da minha igreja”, lamentou.
Críticas ao bolsonarismo, negação de cargos e projeções de futuro
Otoni de Paula avaliou que sua trajetória institucional poderia ter sido diferente caso tivesse optado por manter alianças estratégicas — como o apoio a Alexandre Ramagem nas eleições municipais de 2024 no Rio de Janeiro —, ponderando que sua recusa em continuar fazendo parte do que chamou de “teatro” lhe custou a projeção para disputas majoritárias, como o Senado.
Segundo ele, o movimento bolsonarista atua para barrar o surgimento de lideranças evangélicas independentes que possam ameaçar a hegemonia de poder dentro das congregações.
Ao ser questionado sobre possíveis articulações com a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno, o deputado negou veementemente ter recebido promessas de cargos na eventualidade de uma reeleição petista.
“Se eu quisesse dinheiro, se eu quisesse mandato, eu estaria no teatro do Flávio Bolsonaro”, pontuou, reiterando que encara sua derrota e sua vitória como permissões divinas.
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