Política

Por que Sóstenes Cavalcante guardava R$ 430 mil em um saco no armário? Entenda a tese da PF

Investigação da Operação Galho Fraco aponta que montante em espécie seria o "lucro" de esquema com notas frias de locadoras de veículos.

Por Izael Nascimento • Publicado em 19/12/2025 às 09h56
sostenes cavalcante em sessao oficial e dinheiro em especie apreendido pela policia federal em sua residencia
Deputado federal Sóstenes Cavalcante e dinheiro em espécie apreendido pela Polícia Federal durante operação em sua residência. (Foto: Reprodução)

BRASÍLIA (DF) — A imagem de maços de dinheiro escondidos em um saco plástico preto no fundo de um armário tornou-se o símbolo da Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira (19).

O flagrante ocorreu no apartamento funcional do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), em Brasília. Ao todo, a Polícia Federal (PF) contabilizou cerca de R$ 430 mil em notas de cem.

A pergunta que domina os bastidores políticos e as redes sociais é uma só: de onde veio esse valor e por que ele estava oculto de forma tão rudimentar?

dinheiro em notas de cem reais encontrado pela policia federal na casa do deputado sostenes cavalcante
Dinheiro em espécie encontrado pela Polícia Federal durante operação na casa do deputado Sóstenes Cavalcante. (Foto: Reprodução)

A tese do “Dinheiro de Volta” 

Para os investigadores da PF, a resposta está na quebra de sigilo bancário de empresas que prestam serviços à Câmara. A principal suspeita é a empresa Harue Locação de Veículos.

Segundo o relatório enviado ao STF, o esquema funcionava com a emissão de notas fiscais superfaturadas ou totalmente falsas de aluguel de carros blindados.

A Câmara pagava o valor oficial à locadora. Em seguida, a empresa sacava o dinheiro na boca do caixa e o devolvia aos parlamentares em espécie, evitando o rastro digital do sistema bancário.

A PF sustenta que o dinheiro encontrado hoje é o “resíduo” de uma movimentação que pode ter chegado a R$ 23 milhões. O uso de sacos plásticos para guardar o montante é visto como um indício de crime.

pacotes de dinheiro em notas de cem reais apreendidos pela policia federal na casa do deputado sostenes cavalcante
Pacotes de dinheiro em notas de R$ 100 apreendidos pela Polícia Federal durante ação na residência do deputado Sóstenes Cavalcante. (Foto: Reprodução)

Guardar quase meio milhão de reais em casa, sem declaração prévia e em espécie, é uma prática comum em crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

Até o momento, Sóstenes Cavalcante não apresentou uma justificativa para a origem do dinheiro. O silêncio do parlamentar aumenta a pressão política sobre a liderança do PL na Câmara.

Contradição e silêncio do parlamentar

Em dezembro de 2024, durante a fase anterior da investigação, Sóstenes desafiou as autoridades. Ele afirmou que sua vida era um “livro aberto” e que não havia nada ilícito em seu gabinete.

O achado desta sexta-feira, no entanto, coloca o deputado em uma situação de difícil explicação jurídica. O ministro Flávio Dino já sinalizou que a manutenção de altos valores em espécie reforça a necessidade das buscas.

Enquanto Carlos Jordy, também alvo da operação, alega “perseguição política”, o foco da PF sobre Sóstenes agora é financeiro: rastrear se o dinheiro do saco preto coincide com os saques feitos pela locadora Harue.

 O espaço segue aberto para manifestação das partes. Erros ou Direito de Resposta? contato@ofuxicogospel.com.br.



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