O prefeito de Sorocaba–SP, Rodrigo Manga (Republicanos), figura conhecida no meio evangélico, foi afastado do cargo por 180 dias após ser apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa responsável por um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos. A decisão judicial foi cumprida na última quinta-feira (6), no âmbito da segunda fase da Operação Cópia e Cola.
De acordo com o relatório da PF, ao qual o g1 teve acesso, o grupo teria começado a atuar logo nos primeiros dias do mandato de Manga, em 2021, utilizando contratos de publicidade falsos e superfaturados para movimentar valores ilícitos. As investigações indicam que o dinheiro era lavado por meio da empresa 2M Comunicação e Assessoria, de propriedade da esposa do prefeito, Sirlange Rodrigues Frate, e por instituições ligadas a aliados e familiares, como a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, liderada pelo pastor Josivaldo de Souza, cunhado de Manga.
Também constam como investigados o empresário Marco Silva Mott, amigo de infância do prefeito, e outros envolvidos que firmaram contratos fictícios com o poder público. Josivaldo e Mott foram presos na operação, sob suspeita de integrar o núcleo de lavagem de dinheiro do grupo.
A PF ainda aponta indícios de corrupção em licitações na área da saúde, com destaque para o contrato da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação, antiga Aceni, responsável por gerir unidades de pronto atendimento (UPA e UPH) em Sorocaba.
Outro ponto que reforça as suspeitas é a compra de um imóvel com pagamento parcial em dinheiro vivo, no valor de R$ 182,5 mil, supostamente usado para ocultar a origem de recursos ilícitos.
O caso, que envolve familiares, líderes religiosos e empresários próximos ao prefeito, coloca em xeque a administração de Manga, conhecido nas redes sociais como o “prefeito tiktoker”, e pode ter desdobramentos criminais e políticos significativos nos próximos meses.

