Política

“Sexo em paz”: Deputado Isidório justifica apoio à redução da jornada de trabalho

Em discurso peculiar, deputado baiano associou a redução da jornada de trabalho ao aumento da taxa de natalidade

Por Caio Rangel • Publicado em 28/05/2026 às 10h51
Deputado Pastor Isidório aparece usando capacete e colete refletivo enquanto segura cartaz sobre a escala 5x2 durante sessão legislativa.
Pastor Isidório protesta em defesa dos trabalhadores durante sessão em plenário legislativo. (Foto: Reprodução)

BRASÍLIA (DF) — A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil foi marcada por um momento de descontração na última quarta-feira (27).

O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), conhecido por seu estilo singular e uso constante de adereços como o capacete de segurança, subiu à tribuna para defender o fim da escala 6×1 com argumentos que repercutiram rapidamente nas redes sociais.

O argumento do deputado

Ao defender a adoção da jornada 5×2 — que garante dois dias de descanso semanal —, o parlamentar sustentou que a medida vai além das questões econômicas, tocando no âmbito familiar e reprodutivo.

Segundo ele, a carga horária atual sobrecarrega os brasileiros, impedindo-os de exercerem o direito ao lazer e à vida íntima com qualidade.

“A escravidão já acabou. A 5×2 garante aos trabalhadores e trabalhadoras o direito de melhor honrar e criar sua família”, afirmou Isidório.

O deputado prosseguiu ao argumentar que, com mais tempo livre, a população teria condições, inclusive, de aumentar a taxa de natalidade, concluindo a fala com a sugestão de que as pessoas teriam mais tranquilidade para “fazer seu sexo em paz”. A declaração gerou risos imediatos entre os pares presentes no plenário.

A aprovação da PEC

Apesar do tom descontraído do discurso, a votação da PEC 221/2019 foi um marco legislativo importante. O texto foi aprovado com ampla maioria — 461 votos favoráveis contra apenas 19 contrários —, refletindo um consenso político raro sobre a redução da jornada de trabalho.

A proposta estabelece a transição da atual carga de 44 horas semanais para 40 horas. O cronograma prevê:

  • Primeira fase: 42 horas semanais, após dois meses de transição.

  • Segunda fase: Carga definitiva de 40 horas semanais, após 14 meses.

O objetivo central da medida é extinguir a escala de seis dias de trabalho por um de folga, garantindo que o trabalhador tenha dois dias de descanso, sem que haja redução nos salários.

Próximos passos

Com a aprovação na Câmara dos Deputados em dois turnos, a PEC segue agora para o Senado Federal. Por se tratar de uma alteração na Constituição Federal, o texto precisará passar por um rito rigoroso, sendo votado em dois turnos pelos senadores antes de seguir para promulgação.

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