A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou buscas e apreensão contra o pastor Silas Malafaia traz detalhes sobre as acusações que pesam contra ele no inquérito ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, obtido pela imprensa, afirma que há fortes evidências de que o líder religioso atuava na organização de uma campanha criminosa com o objetivo de obstruir a Justiça e atacar ministros da Corte.
Segundo o despacho, “os elementos de prova indicam que as condutas de Silas Lima Malafaia influenciam diretamente o investigado Jair Messias Bolsonaro, resultando em ações concretas, inclusive com postagem de conteúdos nas redes sociais previamente acordadas por Silas Lima Malafaia”.
Campanha criminosa e ataques ao STF
O texto descreve que Malafaia teria se engajado na construção de uma “campanha criminosa orquestrada”, destinada à criação, produção e divulgação de ataques direcionados a ministros do Supremo.
Ainda de acordo com a decisão, essa atuação se insere no contexto das chamadas “milícias digitais”, investigadas em inquéritos anteriores por disseminar conteúdos de intimidação e desinformação contra o Judiciário. O documento destaca que a conduta de Malafaia é “absolutamente assemelhada àquelas investigadas no Inq. 4.874/DF”.
Medidas cautelares
Entre as medidas impostas, o ministro Alexandre de Moraes determinou:
- Proibição de deixar o país;
- Cancelamento de todos os passaportes nacionais e estrangeiros;
- Entrega imediata dos documentos em até 24 horas;
- Adoção de providências pela Polícia Federal para impedir novo passaporte;
- Anotações junto ao Ministério das Relações Exteriores para garantir o bloqueio migratório, inclusive em fronteiras terrestres;
- Proibição de comunicação com outros investigados da ação penal nº 2668.
O despacho enfatiza que a decisão busca resguardar a ordem pública e o andamento do processo que tem Jair Bolsonaro como réu por tentativa de golpe de Estado.
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