O pastor Antônio Carlos, até então dirigente setorial da Assembleia de Deus Belém em Itapevi, na Grande São Paulo, fez seu culto de despedida na última semana. A cerimônia contou com a presença de José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da denominação, e de seu filho, José Wellington Júnior, atual presidente da convenção.
O desligamento de Antônio Carlos do setor ocorre em meio a polêmicas. Ele é acusado de ter agredido verbal e fisicamente a deputada estadual Marta Costa (PSD), filha de José Wellington, durante uma reunião interna da convenção realizada em julho. Apesar da gravidade das acusações, a despedida foi marcada por discursos de agradecimento e reconhecimento pelo período em que esteve à frente da igreja local.
Na cerimônia, José Wellington Júnior reconheceu a atuação do pastor Antônio Carlos no setor de Itapevi e destacou seu perfil de “transparência”.
“Pastor Antônio, Irmã Neusa estiveram aqui rapidamente, dois anos e pouco. Foi uma passagem rápida, mas o suficiente para que o Senhor Deus operasse a sua obra aqui neste lugar, através dos irmãos. (…) Antônio, queremos agradecer pela maneira com que o irmão sempre respeitou nosso pastor, respeitou nosso ministério e respeitou também a Igreja do Senhor”, disse Wellington Júnior.
Ele ainda fez uma referência pessoal ao perfil do pastor, comparando sua postura à de sua mãe, a falecida irmã Wanda Freire da Costa:
“Ele é muito transparente. O que tiver de falar ele fala. Ele me lembra muito a minha saudosa mãe. (…) Essa é a transparência, o seu perfil de muita sinceridade e transparência.”
Já José Wellington Bezerra da Costa, em sua fala, citou o livro do profeta Isaías para aconselhar o pastor afastado.
“Amplia o lugar da tua tenda, e as cortinas das tuas habitações se estendam. (…) Antônio, você é um pregador. Conhece a profundidade deste versículo e tudo o que nele está representado. (…) Continue trabalhando, porque o nosso patrão é bom. Ele há de recompensar todo o esforço que todos nós fizermos pela Igreja do Senhor Jesus”, afirmou o presidente de honra.
Em outro momento, José Wellington destacou que, mesmo sem filhos biológicos, Antônio Carlos e sua esposa, Neusa, receberam uma igreja como missão. “Jesus não deu para vocês filhos, mas deu uma igreja grande para cuidar dela. Aqui está a nossa família, a Igreja do Senhor Jesus”, disse.
Saída ocorre após acusações de agressão
A cerimônia de despedida foi realizada poucos dias depois da revelação de um episódio que gerou forte repercussão nos bastidores da Assembleia de Deus Belém. Durante uma reunião interna da convenção, Antônio Carlos teria reagido de forma violenta ao ser informado de que seria removido do setor 37, em Itapevi.
Segundo relatos obtidos pela reportagem do Fuxico Gospel, a deputada Marta Costa tentou interceder a favor da decisão da cúpula, o que teria provocado a reação agressiva do pastor. Testemunhas afirmam que ele chegou a empurrar a parlamentar e, em seguida, a ameaçar com uma bengala pertencente ao pastor José Wellington.
A informação circulou entre diversos líderes da denominação e foi confirmada por membros que acompanharam os bastidores. O episódio teria levado inclusive à cogitação de uma medida protetiva por parte da deputada, embora não haja confirmação oficial.
Outro ponto que aumentou a pressão pela saída do pastor foi a revelação de que ele recebia dois salários de R$ 14 mil — um pela função setorial e outro pela sede —, além de R$ 1.600 mensais em auxílio combustível e de um pedido de R$ 70 mil para a realização de uma festa de aniversário.
Apesar da cerimônia de despedida, ainda não está claro qual igreja Antônio Carlos assumirá após sua saída de Itapevi.
Enquanto isso, a direção da Assembleia de Deus Belém mantém silêncio público sobre o episódio de agressão, e o futuro do pastor permanece em aberto.